Quarta-feira, Março 31, 2004
Tem horas que a gente se sente assim, né!? O mundo inteiro fala, você só ouve. Você fala e o mundo inteiro nem dá atenção. Complicado. Principalmente quando se trata de um problema mental grave, como no caso tratado por esse post. Meu pai sempre me disse que existem 4 tipos de pessoas no mundo a quem vc não deve dar atenção.
O primeiro tipo são as crianças. Elas são adoráveis, meigas, fofas. Mas nunca sabem o que estão falando. Elas não têm noção nenhuma do tamanho e da proporção e da responsabilidade que as palavras podem ter ou tomar. Não se pode levar em conta o que uma criança diz. Quando eu era criança eu sempre virava para o meu pai e dizia: "Vou jogar você no lixo!". Engraçado. Nunca joguei. Adoro o meu pai.
O segundo tipo é quase como o oposto. São os velhinhos. Tudo o que um velhinho quer é atenção. Uma pessoa que procura por atenção pode fazer qualquer coisa. Ela acha que o mundo está contra ela e que a saída mais lógica é ir contra o mundo. Eu acho os velhinhos engraçados. Mais do que as crianças. Minha avó cozinha muito bem. Eu sempre adorei a comida dela. Um dia eu tinha comido milhares de frutas pelo pomar e voltei pra casa para almoçar. Quem conseguiria almoçar depois de ter dividido um balde de lichia com o cachorro que adora lichia!? Enfim...para agradá-la eu fiz um prato relativamente pequeno. Foi a pior coisa que eu já fiz na minha vida. Até hoje ela lembra disso e já se passaram uns 8 ou 9 anos. Ela quase entrou em depressão. Os velhinhos dão muito importância para as coisas bobas. Até tentei explicar para a minha avó que eu estava sem fome. Mas ela tbm é surda. Outro ponto. Os velhinhos tbm só ouvem aquilo que querem ouvir. Como dar atenção para uma pessoa dessas!?
O terceiro tipo são os bêbados. Nada a declarar. Partindo do ponto que um bêbado é chato, amigo de todo mundo, sincero até demais e que sofre de amnésia no dia seguinte, ninguém, em sã consciência daria atenção para ele. De vez em quando eu fico bêbado, mas acho que é justamente para que as pessoas não me deêm atenção. Ou que ignorem um pouco aquilo que eu falo. Sei lá. Complicado. Mas, de qualquer jeito, nada melhor do que ouvir um sonoro EU TE AMO daquele seu amigo bêbado. Pior é que é uma afirmação sem comentários. Enfim...complicado, tbm.
O último e mais delicado tipo é o tipo dos loucos, malucos e psicóticos. Quem daria atenção para esse tipo de gente!? Ninguém.
Eu fui criança. Eu tive uma avó pentelha. Eu tive um tio alcoólatra. Mas nunca tinha tido um loucomaníacodepressivoinvejosoecommedodeficarsozinhopelorestodavida na minha cola.
...a última coisa que esse post têm a dizer é:
Sem comentários!
hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahhahaa
Abraços.
Quinta-feira, Março 25, 2004
Por mais que você tente esquecer o passado, ele nunca te esquece. E volta e remoe e dói. É uma verdadeira merda. As histórias são outras e mesmo que não fossem, pra que lembrar!? Fui amarrado, enterrado e ainda julgado como aquele que estava lá parado...a vida é mesmo engraçada e boba e medíocre. Mediocridade tbm é ser exposto sem ter exposto nada. Nunca revelei nada que pudesse me ligar ao meu passado. Uma pena. Deveria sim ter mostrado minha opinião sobre tudo o que já aconteceu. Sobre todas as discussões. Sobre toda a insegurança. Sobre as juras não cumpridas. Sobre a falsidade. Sobre a incompreensão. Sobre o desistir sem nunca ter tentado. Isso não tem nada a ver com ressentimento ou dor de cotovelo. Isso tem a ver com o poder do passado. Das tristezas que só pertenciam a mim. Das minhas culpas. Dos meus problemas. De tudo o que era meu e que não tem nada a ver com nenhuma outra pessoa. Estou meio que engasgado, entalado. Acho que a pior coisa é lembrar que nem todo o tempo investido valeu a pena. Tempo perdido. Nada. Sem retorno. Nada. Acho que é exatamente o que eu sinto agora depois de tudo isso. Nada...desprezo por toda aquela história. Meio que um nojo de mim mesmo por ter acreditado, um dia, que valia a pena. Nada.
Sexta-feira, Março 19, 2004
O mundo é cheio de quartetos. Tem o Quarteto Fantástico que era composto pelo Senhor Fantástico, pela Mulher invisível, por uma Tocha Humana e por um Gigante de Pedra. Não me lembro de um quarteto anterior ao Quarteto Fantástico. Talvez os Beatles fossem anteriores. Sei que, entre as bandas, esses últimos são os que mais marcaram a história. Todo e qualquer grupo de assaltante, ladrões ou foras-da-lei são conhecidos como quadrilha. Enfim...o mundo tá cheio.
O mais engraçado de tudo isso é que, muitas vezes, a gente não conhece a história que antecede a criação desse grupo. Não que a história não exista, mas ela se perde e o poder do mito fica muito maior e é como se eles já tivessem nascido juntos.
Eu nunca neguei o poder das primeiras impressões. Elas, além de serem marcantes, são sempre reais. Eu lembro de cinco primeiras impressões que forão tão marcantes quanto verdadeiras e a cada dia que passa me fazem crer que eu estava certo...ou não totalmente errado.
Quando eu cheguei na faculdade, uma garotinha sentou do meu lado. Baixa, olhos grandes, sorriso quadrado e sempre à mostra. Pulava de um lado para o outro. Me irritava, para ser sincero, mas tbm não precisa muito pra me irritar. "Oi, me chamo Carol e vc!?". Antes que eu respondesse ela já tinha me contado toda a história dos seus antepassados, falado que adorava Boy's Band e que o sonho dela era beijar um carinha dos Hansons. "Espuleta". Foi essa a minha primeira impressão. Eu não estava errado. Naquele mesmo ano, a menininha espuleta, aprontou horrores, caiu na cachaça e me fez acreditar que não existe nada que seja assim tão importante quanto se divertir.
Noutro dia, durante a aula, duas coisas me incomodavam demais. Uma se chamava Lia e a outra se chamava Rapha. Uma falava e a outra ria. Era incrível, medonho e irritante.Não consigo falar de uma sem falar da outra, mesmo sendo, elas, duas pessoas completamente distintas. Você consegue imaginar uma menina de 1,50m de altura, fofinha, pequenininha, com uma boca maior do que a própria bunda, arrotando como um gigante!? Ou cuspindo na minha cara atendendo o pedido de uma mesa de boteco na calçada da Paulista!? Enfim...era a Lia, a "escrota". O que a Lia tinha de escrota a Rapha tinha de maloqueira. Agora, fiquem sabendo que a Lia é muito escrota. Ah...e a Rapha gostava de apanhar. Cada louco com sua loucura, né!? Ela me incomodava, tamanha era a sua descrição ao comentar da gordura da professora de antropologia ou da viadissse do professor de história do rádio. Eu nunca achei que no mundo pudesse existir uma pessoa tão indiscreta. Enfim...existia.
Até esse momento, o das primeiras impressões, elas não se conheciam, a não ser a Lia e a Rapha. Mas ainda faltava uma parte. Agora, o que ninguém imaginava é que seria aquela menina que entrava na sala e não falava com ninguém. Ela me deixava curioso. Era uma Barbie Punk, uma réplica fiel, não fosse pela altura, da "Punk Bruster, A Levada da Breca". Claro que mesmo pra ser punk é preciso classe e ela tinha. Tinha alguma coisa que chamava a atenção e atraia a mim, pelo menos. Sinceramente, não sei se ela sabe disso, mas por muito tempo eu fui apaixonado por ela. Uma paixão platônica, claro, se eu a realizassse o mito se perderia. E o que me fazia fica bobo diante daquele "um metro e meio de pernas" era o mistério. Eram as coisas que se escondiam atrás daqueles olhos.
Agora...a partir disso...eu já não faço mais parte da história. Elas se juntaram e, por um acaso do destino, se amam até hoje. São opostas, de diferentes personalidades, estilos, gostos e tamanhos. Alguns dizem que é para "sempre" mas é como se pensar que isso não pudesse ter acontecido "nunca". O bom é que aconteceu. I was there!
Deve existir alguma fórmula secreta ou algo assim...Parabéns, meninas. Não por serem "Cachorras", não por terem se conhecido, mas por serem o que são. Cada uma do seu jeito, do seu estilo. Dois anos é muito pouco comparado à eternidade, vcs ainda têm muito tempo.
Ah...Depois que eu vi essas 4 garotas juntas, latindo, rindo, gozando com a cara dos outros e perturbando todo mundo....minha primeira e última impressão foi: "Que merda!".
Abraços...
Segunda-feira, Março 08, 2004
Não importa a língua, a raça ou seja lá o que possa existir. As relações humanas e as respectivas reações não mudam nunca! Até os problemas são os mesmo. Os pais enchem o saco dos filhos. Os filhos não deixam os pais dormirem tranquilos. Isso é até engraçado. Os pais se preocupam com os filhos. Os filhos acham que os pais são patéticos ou quadrados demais. A filha engravida. Os pais nem imaginam. Ela aborta e os pais nem ficam sabendo. É tudo igual.
Abraços....
ela estava sozinha. sozinha. escolha ou não. o mundo não parecia suficiente para que ela estivesse dentro dele. os sentimentos são confusos. deus é o pior e mais vingativo assassino do mundo, não ela. como poderia alguém pensar isso dela. ela mesmo pensava. repetia na sua cabeça todos os passos que a levaram a isso. "alice! acorda!". ela queria acordar e saber que tudo aquilo nunca existou, nunca aconteceu. mas os sonhos parecem eternos quando vc não gosta deles. os dias parecem eternos quando não se gosta deles. os dias parecem eternos quando não existem motivos. os motivos nuca existiram realmente. ela me disse que nunca o tinha amado. e que talvez tenha sido o medo que a tivesse feito aguentar todo aquele tempo. o medo se foi. os motivos nunca acompanham os medos. um só motivo não teria sido suficiente. não foi suficiente. todos os motivos do mundo parecem poucos, pequenos. e o mundo é muito mais confuso do que se imagina. ela era só uma criança ontem e hoje os fatos lhe deram uma aparência pobre, sem brilho, desgastada, empoeirada. amanhã ela vai cruzar a linha entre o medo do incerto e a certeza das opções. ninguém nunca é tão corajoso como se pensa. hoje ela sabe disso. eu consigo enxergar isso nos olhos dela. enxergo isso nos passos, na mão trêmula, na ansiedade. ela que tinha todos os motivos do mundo....e agora o que ela tem!? sozinha. sozinha. o que eu tenho!? nada. nenhuma certeza, nenhum motivo. nada. deus, o assassino, jogou mais uma vez seus dados, contrariando todas as certezas do mundo e apostando no poder do destino. eu que nunca acreditei muito em destino....em que acredito hoje!? em que ela está acreditando. ela duvida até dela mesma, daquilo que ela pensa, da escolha que ela fez, dos pensamentos mais simples. eu duvido de mim e de tudo. ela estava sozinha. e você!? até quando vc vai estar sozinho!? até quando vc vai ser o único a habitar o seu mundinho de 3 vulcões e a regar uma única rosa que de tão mimada não consegue passar um dia sem vc!? ser rei deve ser delicioso. principalmente quando se consegue ser o próprio rei. rei de vc mesmo. ela continua sozinha.
Sexta-feira, Março 05, 2004
Comercializaram mesmo! Não só o cara. Mas toda a sua dor, seu pânico, seu desespero. Tive medo. Medo de ser possível alguém sofrer tanto. Ele era homem. Não existe um homem que aguente tanto sofrimento, dor, desdêm. Eu seria incapaz. Eu sei disso. Mas essa é a história que contam. É a história que a gente conhece. Mas pode ter sido pior. E isso me deixa muito mais assustado. Se for ter uma visão religiosa, foi lá, realmete que o pecado começou. De um lado cético, alguém precisava passar por isso para que o homem soubesse exatamente do que ele é capaz. Se ele era ou não era inocente, não se sabe. Um revolucionário, com certeza. E que mãe que ele tinha. Mas agora ele é só mais um personagem, assim como tantos outros de tantas outras histórias e desse blog. Eu não tenho religião. Admiro a fé. Acreditar em qualquer coisa que não exista e trazer daquilo alguma força, pra mim, parece impossível. Admiro as pessoas que conseguem. Admiro aqueles que acreditam no nada. Afinal...acho que é esse o nome certo. Sempre vai existir um Cristo. Talvez ele não tenha sido o primeiro. E com certeza não foi o último. Mas, eu admito uma coisa, ele foi diferente. Reconheço. Senão, talvez, não houvesse, até hoje, tanto frênesi em cima de uma coisa de 2000 anos atrás. Me surpreendi. Assistam The Passion Of The Christ, direção de Martin Riggs ou do Mad Max...vocês escolhem.
Abraços...