Quinta-feira, Outubro 14, 2004
Planos, planos, panos, anos...
E assim se completa mais um ciclo. Do jeito que talvez tivesse que ser. Não do jeito que talvez eu quisesse. Talvez é sim a dúvida que me corroi hoje, me corroeu ontem e que vai me corroer sempre. Eu vivo essa dúvida, eu acordo com ela e é ela mesmo que nas noites frias de agora me fazem perder o sono. É ela que me deixou um pouco mais amargo e frio nesse ano que passou.
O hoje não existe. O amanhã é incerto. O passado é a única coisa capaz de me fazer sorrir. Se "um dia" existisse, talvez esse dia pudesse ser hoje. Pq não!? Estaríamos sentados na boemia da luz amarelada dos botecos da paulista, falando sobre o dia que nos conhecemos e confirmando que nunca poderia ter sido melhor. E não foi.
Tenho sonhado muito. Sonhos tumultuados, em cores fortes, relampejados. Sonhei. Há quanto tempo eu não conseguia sonhar!! E eu sonhei. Sozinho, deitado, eu acordei e ainda me senti sonhando mas, não mais sozinho. Alguém também sonhava junto comigo. E o sol se acendeu, e o dia se fez, e a mesma rotina neurótica, mais uma vez meu sono foi consumido pelas folhas que não param de cair. Aqui é outono. As árvores que já foram verdes, hoje estão avermelhadas, amarela, marrons, talvez sejam essas as cores fortes dos meus sonhos. Talvez, meu sonho não deixe de ser a realidade que vivo. Realidade é sempre tão subjetivo, não!? Acho que foi Descartes que disse que os sonhos são tão reais que naquele exato momento ele não tinha certeza se estava acordado. Talvez estejamos mesmo só sonhando e a subjetividade das nossas vidas, reais, nos deixem muito mais agarrados naquilo que não existe mas, que para mim e para vc, não é nada subjetivo.
E eis o ciclo! O círculo! O circo da nossa vida! A nossa desgraça desenhada em aquarela. A nossa graça tatuada em nossos peitos. As chicotadas desferidas sem sentido. E a cruz que carregamos com desgosto. Um engarrafamento de inúmeras vontades, caminhando lado a lado, mas com direções completamente diferentes. É assim que se define a vida por aqui.
Sexta-feira, Outubro 08, 2004
ouvindo Portishead enquanto, durante a noite, os gatos procuram saborear o céu.....
Cara..eu sempre pensei que só existiam 2 cds do portishead. Eu estava errado. Existe um cd ao vivo. Acho que é o único cd ao vivo dos caras. Mas, o mais sensacional, é que tem uma orquestra. No mais...o cd é igual aos outros dois...a músicas têm, teoricamente, os mesmos arranjos mas, ao mesmo tempo, têm muito mais força. Sensacional! Estupendo! Magnífico senhoras e senhores. O nome do cd, pra quem quiser procurar por aí, é Portishead - Roseland NYC Live. Eu não tenho palavras para definir essa banda. Aliás...existe uma outra banda, chamada THOU, que pegou umas sobras de estúdio do portishead e fez um cd que eu não lembro o nome. Eu tinha esse cd...mas hoje esse cd está em algum lugar desconhecido. Ele foi roubado junto com outros 6 cds enquanto eu jogava fliperama na Paulista. Enfim...ninguém mandou, né!?
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"quietly whisper when my heart wants to scream"
No mais...a vida anda a mesma...o mundo continua girando...o sol continua se pondo e marcando o final de todos os dias mais tristes e sozinhos de toda a minha vida. Daqui 7 dias eu completo um ano de casa. Quem disse que o tempo nunca iria passar!? Ele passou...e como passou. Ele conseguiu até abalar aquilo que parecia tão protegido e indestrutível. Ele conseguiu me ensinar a confiar nas pessoas certas, a ouvir até mesmo as erradas e a falar menos a qualquer que seja a pessoa. Me ensinou a fazer as coisas certas nas horas certas. Me ensinou a não contextar o que não tem conserto. A não querer mudar o mundo sem antes mudar aquilo que eu sou. Me ensinou a querer ser uma pessoa melhor por mim mesmo e sem precisar de ninguém para me levantar quando eu caia. Me ensinou que são poucas as pessoas que estão ao seu lado quando vc cai e são menos ainda as que esperam vc se levantar. Nesses 365 dias...eu fui mais um, o outro, aquele ali, um nada dentro de um país que não é meu, alimentando um povo que não é o meu e sorrindo para pessoas que não são as minhas e ainda tentando falar a língua delas. Das 8760 horas que completam o ano, eu trabalhei aproximadamente 4000 e em segundo algum eu esqueci quem eu realmente sou. Essa foi a vitória...manter-se são dentro da loucura de um mundo que não te pertence, ouvindo uma língua que não é a sua e imaginando o que vc estaria fazendo no Brasil naquele exato momento. Aqui, brasileiro não é compatriota, é concorrente. A ginga aqui se chama dólar e fala muito mais forte do que qualquer nível de amizade. Casamentos são laços frouxos e praticamente desatados aqui. Amizade é uma palavra forte e confiança nunca é dada de graça. Não há como descrever o que eu estou aprendendo por aqui...é impossível e ninguém acreditaria em metade das histórias que acontecem por aqui. Hoje eu tenho certeza de que eu sobreviveria em qualquer parte do mundo em qualquer situação. Que eu consigo trabalhar em qualquer coisa e aprender qualquer coisa. Que a não existem limites e sim coisas que vc ainda não aprendeu. Da família eu sinto saudades, dos amigos eu sinto falta, do Thiago eu sinto um enorme desejo de alcançá-lo no futuro distante dos meus planos. De uma única coisa eu tenho certeza: se estivesse hoje no Brasil, eu estaria fazendo as malas, novamente.
"refuse to surrender, strung out until ripped apart"
Talvez eu volte a escrever sobre isso com mais calma...talvez isso já não valha mais a pena...talvez eu nem me lembre mais de nada...talvez o meu desejo e as minha vontades sejam sobrepostas pelo meu cansaço e pela minha tristeza...não é a distância...não é o trabalho...é a angústia de querer aquilo que não é possível. É como o fruto proibido que te assombra, que te seduz e que, sorrateiramente, te trai.
Abraços...
"I can tell you taste like the sky"
Segunda-feira, Outubro 04, 2004
"wake, work, drink, sleep, retire"...assim diz a música que só precisa da companhia de um cigarro. Aliás...dividir a tristeza com um cigarro tem sido a coisa mais segura para a minha mente desde que eu cheguei aqui. A música tbm...mas, música é uma coisa muito pessoal. Eu não tenho o direito de criticar o gosto alheio ou a maneira como o outro ouve tal música. Eu tenho as minhas manias e o meu próprio gosto e se vc um dia vier a criticá-lo eu te mato. No mais...algumas músicas parecem feitas para o momento X ou Y. Elas são tudo aquilo que vc queria dizer ou precisava ouvir. Engraçado, mas real, é que os sentimentos são tão comuns, tão iguais! Não importa a hora e o quão triste vc se encontra, existirá uma música perfeita para vc. Se vc quiser continuar triste, ouça radiohead, se quiser ficar feliz, ouça the apples in stereo. Eu prefiro revirar o meu estômago com um pouco de smashing pumpkins e depois drenar um pouco do meu cérebro com um pouco de miles davis. Fritar os tímpanos com Lords of Acid e fazer amor gostosinho ao som de Dave Matthews. Não importa a hora, o lugar, o humor, a música vai estar sempre lá. Eu sempre achei, por exemplo, que as músicas dos Beatles foram feitas para serem assobiadas. Elas têm o ritmo perfeito e o tempo certo para um assobio suave e contínuo...são perfeitas...eu posso até imaginar o meu amigo jonh assobiando Love Me Do... Do mesmo jeito, eu sempre achei que as músicas do Pink Floyd têm mensagens subliminares que só são percebidas pelas mentes aciduladas. Agora...eu tenho que falar isso...mas todo mundo tem um pouco de brega dentro da sua figura cult e inteligente...quem aí não sabe pelo menos um pedacinho da letra de evidências!? "chega de mentira, de negar o meu desejo, eu te quero mais que tudo, eu preciso do seu beijo". O único defeito dessa música foi ter sido escrita interpretada por cantores sertanejos...apesar que ela não poderia ser melhor!! Enfim...outra música que foge completamente do meu ecletismo mas que não deixo de gostar e a Hit Me Baby da Britney Spears. Outra música desperdiçada mas boa...muito boa..."my loneliness is killing me, and i, i must confess, i still belive"...enfim...o Travis tem uma versão fabulosa dessa música...enfim...eu enchi linguiça pra caralho e não falei nada de bom e só pra completar...a música da primeira frase desse post é Cemetery In My Mind do Midnight Oil, uma das melhores bandas Australianas depois de Men At Work...droga!..hahahaha...tá...só eu gosto de Men At Work...mas eu já falei sobre isso...é que eu sou cheio de ressentimento por ter sido banido do clã por ter questionado os pqs de tanto segredo...eu pago 100 pratas para alguém que apareça aqui nesse blog e comprove que possui todos os cds do Men At Work, incluindo as 353 coletâneas!! Tsc tsc tsc...mas eu gosto...eles não são os melhores...mas são legais..."i come from a land down under, where beer does flow and men chunder"...do mais...eu não quero mais enrolar e vou deixar aqui um outro desafio...vc tem que me falar sobre a relação entre radiohead e beatles e até onde pode ir a evolução do som e pq Oasis é uma merda e nem se compara à unha encravada do mindinho esquerdo do pé manco do holdie dos beatles!?
Abraços aos som de Bitches Brew de Miles Davis...