Quinta-feira, Dezembro 23, 2004
Não consigo achar graça em muita coisa a não ser na vida que vira outra página ou inicia outro capítulo do livro "eternidade". Isso merece um brinde, claro, pq não!? É final de ano, natal tá aí, o mundo está no meio da pior crise dos últimos milênios, mas claro que tudo muito mascarado, e só nos resta brindar! Somos felizes sonhadores, frustrados torcedores, cidadãos civilizados. Donos do mundo. Somos tudo aquilo que não somos. Somos as catracas desse reloginho e merecemos, oras. Claro que merecemos. Não se prive, se endivide mais uma vez e "Brinde!".
Um brinde à vida e suas mil faces, fases e meios. Meios que nem sempre justificam os fins, mas que sempre revelam um pouco do que ainda não somos. Ou somos e só não temos capacidade para entender ou assumir que somos. Então, um brinde ao que não somos! Ou, talvez, um brinde ao que queremos ser. Um brinde à facilidade de existir e ao despreparo para ser. Um brinde à vitória nossa de cada dia. Um brinde às derrotas. Um brinde aos pés, aos calos, aos calcanhares rachados. Um brinde aos sorrisos rechaçados. Um brinde aos dias de sol e chuva e casamento de viúva. Um brinde às noites de lobisomens e do bicho homem amargurado e incrédulo e incapaz. Um brinde por sermos tão incapazes de entendermos uns aos outros, pq, se fôssemos, nada teria graça. Mas, que fique claro, que nada justifica a imcompreensão. Um brinde à virtude da mentira e ao descaso com a verdade. Um brinde à minha verdade! Afinal, a verdade está dentro do indivíduo e só a ele pertence. Já a mentira, ela é comunitária e é exatamente aquilo que vc vê todo dia. Ela é a virtualidade das relações mais reais e próximas ou vizinhas. Ela é cotidiana. Ela é efêmera, fútil e talvez, para muitos, a coisa mais sincera. Ela é o comodismo da nossa vida sedentária e estática, enraizada, entravada. Ela é a nossa pobreza de espírito. Ou, talvez, ela seja simplesmente uma maldição. Um brinde à solidão! Um brinde à coragem e à prepotência, à covardia, ao medo e à arrogância. Um brinde aos anseios mais íntimos! Um brinde aos beijos mais ardentes. Um brinde às memórias mais empoeiradas. Um brinde às pernas que se abrem. Um brinde às portas que se fecham. Um brinde ao sórdido, ao vulgar e ao orgasmo engasgado do grito de gol! Um brinde ao início, ao meio e ao fim. Um brinde à Deus e sua enigmática existência. Um brinde às charadas bíblicas e às piadas eclesiásticas! Um brinde à pedofília batinal! Um brinde a vc. Um brinde a mim. Um brinde à todos e adeus!
Abraços...
Terça-feira, Dezembro 21, 2004
Bom...nada de mais a não ser o fato de ter sido chamado de prepotente. Sim, sou prepotente. Sim, sei disso. Não, não vou mudar. Não, nem penso em mudar. Sim, sou feliz assim. Ou tento.
Agora...quem quiser ler alguma coisa realmente interessante: O enigma do churrasco de gato
Abraços...
Segunda-feira, Dezembro 20, 2004
A neve talvez seja mais uma daquelas coisas que só foram feitas para provar o quanto somos pequenos em relação a magnificência do universo. Eu estava aqui sentado no conforto da minha cadeira reclinável, aquecedor ligado, de frente à janela, a assistir ao show dos floquinhos brancos que não paravam de cair. Desci, fui até a porta do prédio e fiquei lá. Parado. Olhando para o alto. Hipnotizado. Fascinado. Aí, eu me imaginei criança e buscando uma explicação para o tal fenômeno. Eu não sou mais capaz de fazer isso. A gente nasce, cresce, perde o senso lúdico, reproduz e morre. Eu simplesmente não achei uma resposta que satisfizesse a minha mente infantil e surreal. Fiquei triste. Cansei da neve. Subi e continuei aqui. Estatelado na janela do meu quarto assistindo ao inenarrável despencar dos pedaços de nuvens raladas. Tá frio lá fora. Muito frio, aliás. Se neve fosse matéria-prima para sorvete, eu seria um homem rico. Deve ser daí que o Sr. Noel tira toda a grana para os presentes, não!? Só ele deve conhecer a fórmula do sorvete de neve e da coca-cola. O mundo é mesmo cheio de descobertas. Agora, o que mais me assombra sobre a neve, deixando de lado todos os problemas secundários como tombos, limpar carro e dirigir, é que ela cai silenciosa. É um cair contínuo de uma coisa branca que não faz barulho nenhum. Nada, pura e simplesmente, neve. Sorrateira, dissimulada e branca. Talvez seja só isso. Talvez seja mesmo só a neve.
Abraços...
Quarta-feira, Dezembro 15, 2004
Eu gosto de REM. Não sei pq mas essa é e sempre vai ser uma banda que me chama a atenção. Apesar de ser uma banda dos anos 80, foi lá pelos idos dos anos 90 que eu assisti pela primeira vez ao Michael Stipe e suas performances que mais lembravam aos saltos de Ney Matrogrosso em sua época de Secos e Molhados. Claro que sem muitas plumas, o vocalista do REM me divertia e fascinava. Ele era tudo. Tinha o estilo. Tinha a voz. Tinha a pose. Mas, antes de tudo, ele tinha o sentimento e me deixava com uma sensação de já ter ouvido aquela voz em algum lugar. Foi no final dos anos 90 que revendo a discografia do REM eu percebi que o punk nunca precisaria de berros e porradas e muito menos de atitudes enérgicas e tampouco disparates politizados contra alguma coisa que possa ter culpa sobre qualquer outra coisa que te oprime. Foi ouvindo ao REM que eu vi, sem saber, o surgimento do mundo alternativo. Claro que tudo não passa de rótulo e não quero rotular ao REM como uma banda de rock-alternativo-semi-punk-gay. Mas, eu sempre vi ao REM, com sua melancolia crônica, como uma banda pop. Eles nasceram pop. Aliás, tudo o que é ou foi "underground" nasceu para ser pop.
Mas, o que mais me impressiona é que o REM entra na sua terceira década. Depois de 2 ou 3 anos sem gravar, eles voltaram com um cd estranho. Foi só assim que eu consegui definir o cd "Around The Sun". Um cd estranho e sem "hits". Um cd que não almeja sucesso. Talvez o único "hit" seja a primeira música, Leaving New York, que tem lá o seu lado chicletinho, mas que não desmerece em nada o cd inteiro. Não ter "hits" não significa que o cd seja ruim, pelo contrário, talvez, esse seja o cd mais sincero que eu já ouvi em toda a minha vida. As músicas parecem mais depoimentos, parecem mais histórias e relatos de uma vida. Não é difícil se achar em algum verso de alguma música do cd. Não é difícil se pegar assobiando uma parte qualquer de uma música que vc não sabe a letra ou o nome...mas lembra exatamente a melodia. No mais, esse cd me pegou por ser um dos cds mais melódicos que eu conheço. E lá vou eu entrando para a terceira semana sem mudar o cd. E ficando com uma pergunta: O que é o REM agora!? Ao ouvir esse álbum eu não pude deixar de fazer uma livre associação com os primeiros cds do Radiohead, o que eu acho fenomenal. Radiohead é uma das bandas mais versáteis que eu conheço. E ela surgiu exatamente quando o REM já era o que é hoje. E, na essência, essas duas bandas são as mesmas.
REM foi sempre uma banda que se manteve estável. Mesmo com o sucesso de Automatic For The People, a banda não degringolou para a baixaria ou se envolveu em algum escândalo. Eu queria que os Titãs pudessem ser o que é o REM. Uma banda linear de estilos variados mas não comercial. Com hits agradáveis e inteligentes. De um estilo peculiar, discreto, singelo, impar. E que não deixasse para trás aqueles que sempre gostaram daquela banda. E é por isso que eu odeio os Titãs.
Abraços...
Domingo, Dezembro 12, 2004
O que eu preciso!? O que vc precisa!? O que nós precisamos!? O que é preciso, certeiro!? O que não é preciso!?
Respostas. Motivos. Sonhos. Nada. Tudo.
Abraços...
Terça-feira, Dezembro 07, 2004
Postùmus Post
Aqui "jazz" Thiago Guerrero Duarte. 23 anos. Solteiro por ironia. Noivo do destino. Casado com uma sina. Desquitado por covardia. Divorciado pela estupidez. E assassinado por tentar ser feliz. Deixa para os amigos as lembranças. Aos parentes o adeus. Aos cães as pulgas. Aos filhos inexistentes, não pôde deixar mais do que um desejo de ter sido um bom pai. À mulher que não teve deixa as saudades das lembranças não vividas. Não pediu flores e tampouco reza. Mas pediu pressa por saber que a vida nada mais é do que foi.
Abraços do além...
Quarta-feira, Dezembro 01, 2004
As descobertas de quem nunca arrumou o próprio quarto são fantásticas. Primeiro, como de costume, vc vai lavar as suas roupas. De acordo com o timer da máquina que lhe cobra 2 dólares para girar a sua roupa em um tubo de ferro, vc tem exatamente 1 hora para voltar à lavanderia e gastar mais 1,25 dólares para secar a sua roupa. Mas isso é rotina e vc só quer mesmo é organizar o seu tempo e enquanto vc vai arrumar o seu quarto vc aproveita para lavar e secar a sua roupa o que te dá 2 horas de diversão dentro de um quadrado de 4x4 metros.
Tentando se organizar, o que vc acha ridículo!! A bagunça é sinal de que existe vida dentro daquele lugar. Oras...que coisa mais chata entrar em um lugar onde tudo tem o seu lugar, nada se mexe sozinho ou se pode acomodar no primeiro lugar onde aterriza. Mas vc, em um surto por mudanças, vê-se na obrigação moral de colocar tudo no seu devido lugar.
Começa a batalha e vc tira tudo de cima da escrivaninha e joga na cama. Tira o pó. Procura o lugar para as coisas. Tira metade das coisas de cima da cama. A outra metade vc não faz idéia de como apareceu dentro do seu próprio quarto. Mas vc tbm não quer jogar tudo aquilo no lixo e coloca dentro de uma caixa e entoca pra dentro do closet. Escrivaninha arrumada, é hora do chão. Vc pega tudo o que está no chão em cima da escrivaninha. Pega o aspirador de pó. Aspira o quarto. Coloca tudo de volta no chão, quase tudo. Algumas coisas sobram e vc tbm não quer simplesmente se desfazer delas. Então, vc coloca tudo dentro de uma caixa muito maior que tbm estava dentro do quarto e que vc não fazia idéia de como aquela caixa entrou dentro do seu quarto pq ela não quer passar pela porta e leva tudo para o sótão. Junto com a caixa vai um super-hiper-ultra-ventilador que não tem mais função nenhuma em tempos de inverno. Nesse meio tempo, vc acha um alicate dentro de uma caixa menor. Tenta arrumar as coisas dentro da caixa menor. Pega o alicate, corta o dedo e grita! Procura por band-aid e só acha o papel toalha da cozinha dentro do quarto. Faz um curativo ridículo e gigante. Sobe para o sótão com a caixa grande. Não encontra a chave para acender a luz. Decide ir no escuro. Tropeça em uma bicicleta ergométrica que mais parece um elefante! Vc grita. Abre a sua gaiola do sótão e coloca a caixa lá dentro. Volta para o apartamento e pega o ventilador e sobe de volta para o sótão. Decide procurar pelo chave da luz e a encontra do outro lado da porta, o único lado que vc não procurou. Vc vai até a sua gaiola do sótão, coloca o ventilador e encontra milhares de outras coisas. Se pergunta como que tudo aquilo subiu até lá. E xinga o idiota que deixou a bicicleta ergométrica na entrada da sua gaiola. Vc se acalma e deixa para arrumar o sótão outro dia. Então, vc volta para o apartamento e decide descer para colocar a roupa para secar. Coloca toda roupa dentro da secadora e acha uma caneta azul dentro do único bolso que vc não averiguou. A caneta, claro que estourada, mancha todas as suas camisetas brancas. Vc grita novamente. Manda tudo se foder, entra no seu quarto, agora arrumado e estranho, e divide, com os poucos leitores do seu blog, a sua saga na fabulosa rotina de ser um garoto organizado. E ainda fica pensando que poderia ter sido pior.
Abraços.