Como sempre, tudo parece ser "tarde demais". É tarde demais para voltar. Tarde demais para voltar atrás. Tarde demais para pedir desculpas. Tarde demais para pedir qualquer coisa. Como sempre, o sempre nunca é o bastante, nunca sempre impera e o nada é praticamente o meu Deus, minha fé. Fé - maldita seja. Malditas sejam todas as palavras que não deviam ser ditas, todos os dias que não deviam ter existido e todas as vezes em que eu pequei por simplesmente ser o que eu sou. Se lamentar bastasse, se fosse isso suficiente para todo o meu mundo se tornar real, se qualquer sonho pudesse, se tudo simplesmente não ruísse, talvez um dia eu saísse da minha superficialidade infantil e ridícula. Foda-se. Cansei de mim. Cansei de tentar ser. Cansei de tentar. Cansei de existir só pra mim. De tornar tudo tão real e puro só pra mim. De ter tanto e nada. De não ter nada. Exatamente nada e nenhuma escolha a não ser a mesma. As mesmas dores. Os mesmos medos. O avesso de tudo e a essência do nada

Empoeirado

Antes da Esclerose


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Sábado, Abril 30, 2005



Se o tudo não passasse de um sonho. Bobo, infantil, um talvez. Se tudo não fosse como sempre é...efêmero, virtual e volúvel. Se o nunca parasse por um segundo de ser nunca e se tornasse o sempre e que fosse esse sempre mais do que aquele talvez. E se todos os "talvez" deixassem de ser eternos. Talvez, e só talvez, tudo deixasse de ser tão obscuro aos olhos daqueles sempre incertos. Aliás, é esse o defeito da incerteza, achar que tudo é tão possível, que existem tantas escolhas a serem feitas e que escolher entre apenas uma acaba sendo um pecado mais do que capital. A incerteza é a crença de que qualquer das possibilidades podem "dar certo", mas, e esse mas é o sobrenome de muitos dos incertos, uma dentre milhares esconde a sorte infinita. É a "porta dos desesperados" em cada ação banal. É como negar uma impulsividade, muitas vezes tão instintiva, e tornar aquilo um sinônimo de dúvida. Tudo é e sempre será rodeado por milhares de perguntas, sobrepostas e em cadeia. Se sim, talvez essa não tenha sido a melhor escolha. Se não, talvez se tivéssemos tentado. E assim vamos carregando além da cruz o "interrogação". E tudo e todas e todos são e sempre serão um talvez, um se sim e um se não e nunca uma certeza. Talvez. Talvez. Talvez.

Quarta-feira, Abril 27, 2005

vida vida ida
vida ida chata
ida vida volta
vida vira volta

vida vida ida
ida chata vida
volta vida ida
vida revira e volta

Quarta-feira, Abril 20, 2005



O inverno passou e é chegada a primavera. Incrível pensar que tudo por aqui, há pouco mais de um mês atrás, era só neve. Um tapete branco e frio. A vida desaparece completamente e chega-se a pensar que o inverno será eterno. Mas hoje foi um dia maravilhoso. Maravilhoso no sentido mais completo da palavra. A temperatura ideal com a brisa ideal. Pássaros cantando, esquilos correndo, abelhas e toda a pluralidade de insetos cuidando das suas vidas e fazendo aquilo que a natureza, se é que isso merece um simples nome, manda.

No caminho do mercado, conversando com o meu irmão, me veio uma pergunta muito "infantil": Pra onde eles foram por todo esse tempo e de onde eles vieram ou voltaram!? Há um mês atrás eu poderia jurar que eles nunca existiram e de uma hora pra outra estão todos lá como se nada tivesse acontecido. Essas "criaturas" estão em uma luta incessante por uma vida que mais é um relógio exato e constante e que nunca vai parar. E não notamos esse relógio. Talvez não queiramos notar. Talvez a nossa existência tão superior tenha ultrapassado toda e qualquer norma ou regra pré-estabelecida e hoje tenha estabelecido a sua própria. Mas qual é essa regra?

O que nos faz tão diferente de tudo isso? Olhar o mundo de modo lúdico talvez, como eu estou fazendo agora. Olhar o mundo como se ele fosse o resultado não de uma transformação mas de uma evolução. Assim como somos nós. O resultado de uma evolução e muito maior do que pensamos. Não só no sentido "natural" ou "fisiológico", que com certeza somos, mas no sentido criacional e racional. Somos a evolução das nossas próprias dúvidas e criações. Somos o resultado de uma mistura mitológica, racional, instintiva e empírica. Somos o nosso "Deus" e o nosso "Demônio". Somos a nossa própria salvação e a nossa própria fatalidade. Nós já não fazemos mais parte daquele relógio. Em outro ritmo, em outra esfera talvez, mas já não o mesmo relógio. Já não notamos mais a nossa própria função ou funcionalidade. Já não temos mais nenhuma função específica senão a de interferir no outro relógio que caminha, desde a concepção de um infinito distante de criação até hoje, no mesmo ritmo. E agora, José!?

E eu olhei o pôr-do-sol como sendo realmente o primeiro de toda a primavera. Talvez como sendo a minha única primavera. Ou talvez, como os insetos, eu tenha acordado de um sonho ruim de um inverno rude e severo, e tenha aberto os olhos para a descoberta de que o mundo dentro de cada centímetro quadrado é maior do que toda a minha existência. E esse mundo também é meu mundo...desde que eu queira que ele seja. Desde que eu queira acordar dentro dele. Desde que eu queira descobrí-lo. E ao descobrí-lo, talvez, eu não me lembre mais daquele sonho ruim. Mas sem perceber estarei dormindo para acordar depois de outro inverno e tentar fazer tudo de novo...como é o meu propósito...Se é que um dia tive algum.

Abraços.

My Favourite Things

Raindrops on roses,
And whiskers on kittens,
Bright copper kettles,
And warm woollen mittens,
Brown paper packages,
Tied up with strings,
These are a few of my favorite things . . .

Cream colored ponies,
An' crisp apple strudels,
Doorbells an' sleigh bells,
An' schnitzel with noodles,
Wild geese that fly with the moon on their wings,
These are a few of my favorite things . . .

Girls in white dresses,
With blue satin sashes,
Snow flakes that stay on my nose and eyelashes,
Silver white winters,
That melt into springs,
These are a few of my favorite things . . .

When the dog bites,
When the bee stings,
When I'm feelin' sad,
I simply remember my favorite things,
And then I don't feel so bad . . .

Girls in white dresses,
With blue satin sashes,
Snow flakes that stay on my nose and eyelashes,
Silver white winters,
That melt into springs,
These are a few of my favorite things . . .

When the dog bites,
When the bee stings,
When I'm feelin' sad,
I simply remember my favorite things,
And little by little my heavy heart sings . . .

And then I don't feel so bad . . .


Domingo, Abril 17, 2005

Por que as pessoas gostam de Kid Abelha?

Ontem eu li em um blog um ´dúvida sobre o porquê das pessoas gostarem de Kid Abelha. Eu, sinceramente, não sei. Mas...eu faço uma analogia com o Men At Work. Todo mundo gosta de Men At Work. Por que!? Ninguém sabe. Mas ninguém fala que gosta de Men At Work. É praticamente um clã maçônico. Eu já falei sobre isso. As pessoas escondem uma das outras que gostam de Men At Work, mas não porque Men At Work é "cool" ou qualquer outra coisa, mas, simplesmente porque não há motivo algum para se gostar de uma banda australiana que de novo, pra época, só tinha o sotaque.

Já o Kid Abelha, uns 20 anos na estrada...e!? Se formos analisar, o Kid Abelha surge no meio dos anos 80. Na transição da ditadura para a tão almejada e hoje alvejada democracia. A abonança depois da tempestade, certo!? Um mundo perfeito se desvendava aos nossos olhos. Biquinis e sexo livre, democracia, liberdade de expressão e um presidente de bigode. Era o tempo dos heróis que morriam de overdose e do nascimento da geração coca-cola. Era o recomeço de um brasil que era de todos mas que ainda não tinha cara ou que não a mostrava. Que vinha da juventude guerreira que sem lenço ou documento mudou a história do país para uma juventude que ainda não sabia o que fazer com a tal "liberdade".

"Não vai dar, assim não vai dar. Como é que eu vou crescer sem ter com o que me revoltar!?", disse o Ultraje A Rigor, e a resposta: ouvindo Kid Abelha. Kid Abelha é o pop sem causa. Sem promessas. Sem novidade. Sem genialidade e com refrões chicletosos e versos gostosos. É uma poesia agradável com um ritmo gostoso em uma voz sensual. Serve pra quase tudo. Você pode ouvir e se jogar de uma janela do oitavo andar ou, se preferir, fazendo amor de madrugada. Para os amores atropelados por caminhões e que se transformam em bom dia. Mas, enfim, temos tudo fácil demais e não parecemos capaz de cuidar do que possuímos. Por que não gostamos de Kid Abelha!? Sim, nós gostamos. Vc pode continuar gostando e sem contar pra ninguém. Não precisa se envergonhar por ter um cd do Kid Abelha em casa. Ou melhor, uma coletânea. Acho que o Kid Abelha nunca lançou um cd, lançou!? O Kid Abelha é uma daquelas bandas que mesmo as músicas novas parecem ser velhas e os cds lançados parecem todos coletâneas. Alguém tem todos os cds do Kid Abelha!? Acho que nem mesmo eles. Mas eu não quero ser demasiado cruel com a Paula Toller. Ela tem uma voz sensual sim. Que me deixa mole e pensando naquela boca encostada na minha orelha e falando, com aquela voz de disque sexo, que me quer como ela quer. Eu sinto tesão sim. Desde que sou pequeno e ela sabe disso!!! E é por isso que ela continua cantando e sendo o sonho "impossível" da minha puberdade. Ai ai, Paulinha....

Abraços.

Terça-feira, Abril 12, 2005

Talvez, qualquer coisa que saia da minha boca agora soe vil ou fugaz. Banalidades, amenidades, casualidades, futilidades. Calar também é difícil. Como não dar voz àquilo que sempre impera sobre a vontade!? ("lately i can't tell for sure if the machines turn anyone") Independente disso existem os sonhos. Eu sonho. Mais do que devia, menos do que gostaria e, fatalmente, muito além do que me é permitido. Mas eu não sonho sozinho. Se sonho ou se sonhei, quem se importa!? Somos, infelizmente, aquilo que não sonhamos e mais ou menos uma resposta aos sonhos dos outros. Somos o espelho convexo daquilo que os outros querem ou queriam. Pra nós mesmos, somos, invariavelmente, a vontade daquilo que não temos e o desejo de ter aquilo que não podemos. Turvos e desconexos, nossos atos desconstroem nossos próprios sonhos. Maquiavelicamente, absorvemos os sonhos alheios e os tomamos como nossos para que mais uma vez se frustrem perante a nossa incompetência. Sonhos e delírios. Portas e abismos. Mas eu continuo sonhando. E desfrutando da minha auto-indulgênciae do meu niilismo. Pagando por um dia ter acreditado que qualquer sonho, mesmo o mais efêmero de todos, pudesse se tornar real. E tantos outros se tornaram. E tantos outros se frustraram. E quais eram os meus sonhos mesmo? Não os seus, isso eu duvido. Alguém tem algum sonho pra me emprestar? Alguma emoção vazia e incômoda!? Algo de que eu possa rir? Pois sim, tapemos um buranco cavando outro. E quantos outros ainda precisam ser tapados!? My life, my business. E assim vamos, como se nada tivesse acontecido e como se nunca tivéssemos sonhado.

Abraços...

Sexta-feira, Abril 01, 2005



E morreu Terri Schiavo. Depois de quinze anos condenada a "viver" lhe deram o direito ou dignidade a ter uma morte, se não digna, que abre precendentes que vão muito além do que se pensa. Eu sempre afirmei e vou continuar afirmando que "a medicina interfere no ciclo natural da vida". Essa foi a medicina que deixou, durante quinze anos, uma mulher em estado vegetativo e agora mantêm vivo a pontapés o símbolo do atraso institucional da igreja católica apostólica romana: O Papa!

Esse caso da Terri Schiavo virou mais do que assunto nacional. As autoridades daqui usaram ela como símbolo de luta e força política muito mais do que exemplo a vida e morte digna e livre. Se a briga se tornou judicial e favorável a vontade do marido, o que tinha Bush que interferir ou opinar publicamente? Enfim, muito mais além, vai a vontade eclesiástica que mantêm um Papa entubado e mudo. Mudo, ele não consegue nem ao menos falar que quer morrer. Muito menos vai conseguir rezar missas ou dar bençãos. Pra que serve um Papa mudo!? Descobriremos. O Papa agora carrega, junto com Terri Schiavo, o sofrimento dos novos tempos. A sobrevida mais do que forçada. Eu não sou contra medicamentos, devo me explicar, sou contra equipamentos. Estava conversando com um velhinho da idade do Papa. Chegamos a conclusão de que a vontade de viver é diretamente proporcional a nossa idade e saúde, quanto mais velho e mais doente, maior a vontade de morrer. Ela é tbm indiretamente proporcional a nossa sanidade ou cobiça. Ou seja, se é desejo do Papa ficar vivo ou se ele está louco não sabemos, mas, que existem muitos interesses por trás disso: existem!

Quem vai ser o próximo Papa!? Eles não podem escolher ou pelo menos tornar pública a escolha. Afinal, isso é um tanto quanto anti-ético. "Ei Seu Segundo, quando vc morrer eu vou assumir o seu babado!". Nada legal. Só faria era gerar mais descrédito à instituição. E não daria ao mundo de fiéis a vontade de rezar e pedir e fazer promessas e despachos a favor da saúde do tão "digno e respeitável" sacerdote. Que vida santa, não!? Vivendo do bom e do melhor, pregando a humildade enquanto se vive rodeado de ouro e vinho e mesa farta. Ir aos hospitais das melhores enfermeiras e receber o melhor tratamento possível. É um paradoxo constante e sem fim se fomos comparar o que se prega e o que se faz. Mas, voltando ao tema, quais fatos tornaram desse homem um "homem santo"!? O que no mundo é diferente por razão de sua existência!? Nada. Ele não fez nada. Mas, ele representa, hoje, o sofrimento. Talvez seja essa a função do papa, mais do que sua pose hierárquica. Ver um verdadeiro "big brother" da decrepitude episcopal. E vem outro Papa, com outro nome fantasia e a instituição se prova ainda mais imortal!

Eu acabei de ler um livro, A Escalada do Homem, J. Bronowski, que trata do avanço e do poder criativo do homem e que, em um de seus capítulos, relacionou a estagnação científica pós-Galileo como culpa da igreja católica. E é fato e isso todos sabíamos. Mas, o que eu li nesse livro é muito mais do que isso. A igreja demorou cem anos para aceitar a idéia grega de que o mundo era o centro do universo. Ela incorporou aquela idéia e a tornou sagrada e numa luta contra o progresso da igreja de Lutero, ela empreende a inquisição onde todos os "hereges" seriam não só torturados mas eliminados. O avanço da ciência proposto por muitos muitos cientistas daquela época, assim como filósofos e tudo o mais, foi tratado como heresia por simplesmente ir contra aos costumes e regras da igreja. Essa mesma igreja que hoje não aceita o uso de anticoncepcionais e proíbe o uso de preservativos. E hoje, é claro, ela mais do que aceita o mundo girando ao redor do sol assim como aceita tbm serem os índios e nativos de regiões como a Amazônia, não selvagens, mas civilizações não tão avançadas ou de costumes diferentes. Essa mesma igreja que interpretou e reeditou a bíblia a seu bem ver, dando ao homem tudo, menos o livre arbítrio. Se antes o avanço da humanidade, através das expecições e cruzadas, se dava em nome da Santa Igreja Católica, hoje se dá o seu retrocesso.

"O Papa é pop, o papa é pop! O pop não polpa ninguém". Assim disseram os Engenheiros do Hawaii. Tão pop que hoje eu lanço aqui a minha candidatura a boa vida do vaticano. Quero uma vida de soberba e fama. Aparecer naquela janelinha e fazer uma baleia branca e coçar o nariz durante a missa do galo. Passar uma receita de galo ensopado enquanto rezo um pai nosso. Não só isso, admitiria a vida e o amor livre. Liberaria os coroinhas da primeira forma de pedofilia existente no mundo. Abriria uma clínica de aborto na esquina do vaticano e vestiria a minha camiseta "free sex" durante os meus dias de folga. Não ignoraria a bíblia mas daria aulas dominicais sobre o quão fantásticas são aquelas histórias e pq metade daquilo não pode ser levado a sério. Mostraria que essa mesma igreja que tanto glorifica a Jesus, esconde a sua principal virtude que é a de ter sido não santo, mas revolucionário. Estas são minhas promessas de campanha. Votem em mim. Papa Thiago o uno, o Papa que, se não te faz feliz, pelo menos te faz carinho.

Abraços...

   
Beba-me! Coma-me!