Terça-feira, Maio 31, 2005
Crise Criativa - 3
Uma pitada de sal. Uma colher de açúcar. Um pingo de vannila. Uma xícara de farinha. Uma colher de chá de asa de morcego moída. Duas de olhos de coruja.
Bruxaria. Só assim pra conseguir escrever alguma coisa. Aliás...tudo o que me rodeia, ultimamente, parece ser fruto de alguma bruxaria. E vc apela aos orixás, a Deus, a todas as entidades. Espera o chamado, uma voz, um telefonema, um recado na geladeira, um email dos céus dizendo: Você pode voltar a escrever. Seria assim, fácil e prático. Mas não é. E vc se esforça para acreditar que tudo é culpa de alguém que não é vc mesmo. Existe e sempre vai existir um fator externo. Ainda bem, né!? Já pensou: em crise criativa e com a auto-estima abalada. Um fracasso deprimido!
E assim vamos...sentando o fracasso no divã dos acontecimentos.
Abraços...
Domingo, Maio 29, 2005
Crise Criativa - 2
Aí vc tenta arrancar os seus próprios cabelos. Como se fosse deles a culpa pela seu lapso criativo. Lapso é modéstia. É mais como se vc estivesse sempre tentando preencher lacunas inexistentes e, ao mesmo tempo, já preenchidas. Ou seja, tudo o que vc pensa em escrever parece já ter sido escrito e, ao mesmo tempo, vc sabe que ainda falta alguma coisa...mas o quê!? E vc tenta e tenta e tenta descobrir. Aí vc tenta mais um pouco. Não consegue e salva o último fio de cabelo como lembrança de que um dia vc já existiu pra vc mesmo. E as lacunas continuam ali, a serem preenchidas.
No final de tudo...sobram os pontos. Um atrás do outro. Uma sequência infindável de pontos que não explicam nada, não falam nada, não fazem nada, não se deixam ler, mas, preenchem os espaços deixando a impressão de que ainda existe alguma coisa ali. Mesmo que só um ponto.
Abraços.........................................................
Quinta-feira, Maio 26, 2005
Crise Criativa - 1
Você tenta. Você faz careta, torce o nariz, faz força. Você pensa até em usar a sua mãe como refém. Aí você escreve e apaga. Escreve e apaga. Apaga tudo. Começa de novo. Apaga. Apaga mais. Começa tudo de novo com outro título e outra história. No meio de tudo você relê e percebe que não é falando do Suplicy que chorou ao apoiar a CPI ou do Mercadante que instruiu os seus companheiros a só apoiarem a CPI caso ela fosse inevitável, que fará do seu texto um texto brilhante. Tampouco da "quase morte" ou da "nova vida" da sua amiga que, infelizmente, foi mais uma vítima da violência paulistana. Aí, no meio de tudo isso, você recebe um email anônimo, mais um, e passa noite tentando descobrir o "por quê" das pessoas não se mostrarem imediatamente. E, no final do email, ela ainda pergunta se você é curioso! E no meio dos emails, outros tantos emails misturados com fantasmas e assombrações e almas penadas. Aí, você pensa que pedir demissão foi uma solução, mas você não faz idéia do que está por vir. Também nem interessa muito querer advinhar o futuro. Vivamos a eternidade dos segundos perdidos. Aí, em determinado momento, você começa a concordar com tudo. Involuntariamente, você só balança a cabeça pra cima e para baixo, concorda, vira as costas e segue o seu caminho. Concordando. Sempre. Mas isso também não adianta e você percebe que quanto menos questiona, menos dedos você parece ter para conseguir escrever. E como se fosse culpa dos dedos mesmo, você corta as unhas, dá um "tchan" nas cutículas, passa creme e desiste de escrever. "Vai trabalhar que você ganha mais, vagabundo".
Abraços...
Terça-feira, Maio 24, 2005
Não que ela andasse por aí. Não que fosse exatamente isso. Talvez não seja mesmo nada. Talvez seja só mesmo o mundo ficando cinza por lá. Mas sempre existe a primavera, como ela disse.
"...There's loneliness inside her
And she'd do anything to fill it in
And though it's red blood bleeding from her now
It fells like cold blue ice in her heart
When all the colors mix together - to grey
And it breaks her heart..."
Dave Matthews Band - Busted Stuff - Grey Street.
Quarta-feira, Maio 18, 2005
Naquela noite a lua resolveu não aparecer. Tímida, talvez, se escondeu entre nuvens de mentiras. Quis, por um único instante, se mostrar forte e poderosa, mas, já era tarde demais e, naquele raro instante, ela se sentiu fraca e infeliz.
Se eu deixar a luz acesa talvez, e só talvez, eles pensem que eu estou vivo. Mas, até quando?
E nasceu. E viveu. E, em questão de segundos, morreu.
E o sol matou a lua. E esse dia será carregado com a tristeza e solidão que só aquele pôr-do-sol pôde, um dia, me explicar.
Segunda-feira, Maio 16, 2005
Eu queria mesmo é esquecer. Esquecer o ontem, o hoje e nem pensar no amanhã. Tudo parece tão chato comparado ao que está por vir que seria muito mais fácil abrir um "menu" virtual com todas as minhas opções para daqui dez anos. Selecionaria aquelas que eu queria, causa e consequência como sempre, vários "sub-menus", algumas burocracia assinando papéis virtuais e tals, e pronto. Em dez minutos eu resolveria dez anos e era só dormir que amanhã eu acordaria com 34 anos, com memórias de dez anos mas ainda me sentindo com 24.
Um dia eu consigo esquecer e parar de pensar e sofrer por antecedência ou pelo passado.
Abraços.
Terça-feira, Maio 10, 2005
Quanto ao pôr-do-sol
Falar é quase um pecado; tão mortal quanto o momento. Era assim que sentiam o pôr-do-sol: o momento em que um dia que nasce sem saber o que virá a ser, se torna passado e se esconde lentamente no oeste do acontecido. Sentados, lado a lado, mãos soltas a procurar o lugar certo, a cidade aos seus pés e o mundo nas suas cabeças. Cabeças que escondiam as mais belas e silenciosas dúvidas. Pés que pisaram as nuvens. Esses eles eram. Só eles eles queriam ser. Por que ser mais se tudo o que se precisa é saber ser?
A vida era suficiente. Os anos assim também foram. Igualmente foram os dias. A eternidade se esconde dentro dos segundos que perdemos pensando nas horas que passaram e nos minutos que ainda não vivemos, ela dizia. Quantos mais emos de perder!? E ele sempre se calava. Como se consentisse mas sem nunca acreditar que realmente estava perdendo alguma ou muita coisa.
Se a vida fosse bela qual seria o nome que você daria a ela!? E eles nunca acharam o nome certo. Enquanto o sol insistia em não se esconder a cidade mostrava o seu brilho e as estrelas iam se acendendo, uma a uma. O suspiro é quase tão inevitável quanto o fato. E o sol, condenado ao seu próprio fim, resolve se atirar no escuro do outro lado do mundo. E lá ele nasce, prevendo o desconhecido, trazendo o inimaginável e como se nunca tivesse pensado em morrer.
Abraços...
Terça-feira, Maio 03, 2005
Eu sou um tio coruja mesmo. Essa é a minha sobrinha. O nome dela é Nicole e nessa foto ela completou dois anos. Ela é o meu melhor motivo e o meu pior pesadelo. A minha razão e a minha paixão. E, acima de tudo, a minha melhor modelo.
Abraços...