Como sempre, tudo parece ser "tarde demais". É tarde demais para voltar. Tarde demais para voltar atrás. Tarde demais para pedir desculpas. Tarde demais para pedir qualquer coisa. Como sempre, o sempre nunca é o bastante, nunca sempre impera e o nada é praticamente o meu Deus, minha fé. Fé - maldita seja. Malditas sejam todas as palavras que não deviam ser ditas, todos os dias que não deviam ter existido e todas as vezes em que eu pequei por simplesmente ser o que eu sou. Se lamentar bastasse, se fosse isso suficiente para todo o meu mundo se tornar real, se qualquer sonho pudesse, se tudo simplesmente não ruísse, talvez um dia eu saísse da minha superficialidade infantil e ridícula. Foda-se. Cansei de mim. Cansei de tentar ser. Cansei de tentar. Cansei de existir só pra mim. De tornar tudo tão real e puro só pra mim. De ter tanto e nada. De não ter nada. Exatamente nada e nenhuma escolha a não ser a mesma. As mesmas dores. Os mesmos medos. O avesso de tudo e a essência do nada

Empoeirado

Antes da Esclerose


Powered by Blogger
   
   

Terça-feira, Junho 28, 2005

Existem coisas que só o MSN faz por você:



Gê says:
e esse lance de punk?
.:Thiago:. says:
eu sou punk!
.:Thiago:. says:
sempre fui
Gê says:
hahaahahhaha
Gê says:
que bonitinho
Gê says:
um punk
.:Thiago:. says:
hahahahahahahahahaahahaha

Abraços...

Sexta-feira, Junho 24, 2005

Let's not spoil it

Ou sim. Ou não. Talvez sim. Talvez não. Cadê!? Aqui!? Onde!? Você tá enganado. Será!? Certeza. Então tá, mas... Mas o que? O que o que!? Não sei. Sabe. Não. Então tá. Então tá então. Ahhh vai ô! Chata! Chato! Humpf! Tsc tsc tsc...

Abraços...



Terça-feira, Junho 21, 2005

A xícara indiscreta...

Da janela, ouvi a porta se abrindo. Olhei para o estacionamento e a vi saindo do prédio carregando a bolsa. Vestia uma blusa rosa e uma calsa preta. Segurava a chave do carro na mão e tinha um cigarro pendurado na boca. Os óculos escuros se agarravam na sua testa. Atravessou o estacionamento e chegou até o carro vermelho. Abriu a porta, ligou o carro. Os vidros embaçados pelo sereno dão um aspecto enfumaçado para quem vê tudo de fora. Ela aciona os limpadores de pára-brisa e procura por alguma coisa dentro do carro, da bolsa, no chão, no banco de trás. Acende o cigarro com o isqueiro que estava no painel. Desliga o limpador. Dá ré. Os vidros traseiros completamente cobertos pelo orvalho e ela manobra o carro. Olho para o reflexo do retrovisor do motorista e enxergo um braço com uma pulseira e um relógio e uma mão que deixa o volante correr por entre os dedos. Eu sigo com os olhos o carro até que ele desapareça na rotina de mais um dia.

Volto até a cozinha. A xícara vazia logo transborda novamente. Volto para janela. Tomo outro café. Olho o céu: azul-céu-de-praia. Mas não vejo as gaivotas e não escuto as ondas. Mas eu lembro como era. Sei exatamente como era. A natureza as vezes me irrita. O sol é muito claro, os pássaros cantam demais...mas não existe nada que se compare ao frio matutino misturado ao cheiro de café recém passado. Nada. Exatamente nada. O paraíso deve ter esse cheiro, exatamente esse, eu penso. Acendo um cigarro. Lembro que comecei a fumar porque gostava de brincar com a fumaça. Hoje...tudo é só um vício. Não só o cigarro. E o estacionamento é lentamente esvaziado pela multidão sem rosto. E eu aqui, saboreando das minhas dúvidas enquanto me embreago em pensamentos cafeinados e insones.

Um relógio toca em algum lugar. De longe ele se mistura ao canto dos pássaros e aos carros que teimam em deixar o estacionamento. Vida chata de alarme de relógio, eu logo penso. Quer coisa mais rotineira!? Sempre, todo dia, no mesmo horário. Quantas coisas são assim, né!? Sempre, todo dia, mesmo horário. Vida mais chata. Vida mais boba. Vida carregada...carregada, antes fosse. Quer carregar a minha!? Tantas cruzes, poucos Cristos.

Olho para o sol que vai se desvendando por dentre as árvores. Começo a pensar na lua e lembro que hoje será dia de lua cheia. O café acabou. O estacionamento está vazio. O mundo continua a girar. Existe um "q" conspiratório em tudo o que vejo, ouço, toco ou como. Paranóia!? Não. Só mais um dia comum.

Sexta-feira, Junho 17, 2005

Chove lá fora e aqui...*

Olhando pela janela a chuva. Olhando pela janela os dias que, contra quase tudo, preferi me proteger. E hoje, protegido, olhando a chuva.

Os mil sabores e aromas da chuva. Já prestou atenção na sinfonia de pingos? Todos no mesmo ritmo e intensidade. O trovão envolvendo a harmonia do vento que desarruma a melodia. O contra-tempo dos pingos que escorregam das folhas das àrvores e os diferentes tons metálicos dos que se submetem à vontade das calhas dos telhados. E, no meio de tudo isso, o cheiro macio da terra molhada, da grama, das flores mergulhadas em lembranças e saudades.

Contra tudo e todos, os passos lentos e ensopados, a água que escorre pela sombrancelha, a roupa grudenta e pesada no corpo, olhando a chuva contra um ponto de luz qualquer. Ali é que os pingos se deixam ver encenando a sua tragédia: lançados um a um pelas mãos das nuvens, descendo ímpares, chegando ao chão e se tornando o todo. Esse é o seu destino. E se deixam levar pela correnteza, disfarçados por entre as poças, escorrendo pelas paredes. Vida de pingo de chuva chega a ser assustadora não fosse esse o meu próprio destino.

Mesmo protegido...chove lá fora e aqui...

"Nem sempre se vê mágica no absurdo, mágica no absurdo."*

Segunda-feira, Junho 13, 2005

o pretexto...

Todos os pretextos do mundo nunca foram suficientes para mim. Não que eu precise de algum - e a primeira reação é sempre negar esse instinto - mas eu queria precisar. Para quê!? Para nada, para tudo. Para mim, para você. Para o que mais? Para que todos não só parássemos de precisar de pretextos mas que achássemos em cada detalhe, em cada simples sorriso, um pretexto eterno para simplesmente viver indiferente do que se passa ao seu redor.

Eu não consigo. Quero um pretexto real. Nada mitificado ou idealizado. Um motivo mais do que simples. Um olhar além, um prever sem limites as consequências de cada centímetro de cada passo dado. Impossível. Então, a gente engole a saliva - mesmo com a boca seca e cansada - e segue em frente. Tampa o nariz, levanta a cabeça, abre a boca e desencana se tudo aquilo vai ser amargo. Mas, às vezes, dói. Eu nunca fui muito forte para a dor e, sinceramente, não pretendo ser agora. Mas "socorro já não sinto nada". E é o pretexto dos pretextos, sentir, o mais encoberto.

Sentir. Qualquer que seja a coisa, sentir. Sentir que o tempo perdido, mesmo perdido, foi tempo vivido inteiro e não pela metade. Sentir que o cheiro do passado não é o do bolor rançoso ou da umidade podre dos porões da memória, mas sim que tem exatamente o mesmo cheiro do primeiro abraço, do primeiro toque e do último adeus. Saudosista ou não, não me importa. Eu quero o pretexto puro e sincero do sentir: o medo, o frio na barriga, o frênesi, o extâse. E extasiado de qualquer que seja a coisa, simplesmente acordar a tempo de perceber que nada seria tão ou mais pretextuoso do que aquilo. De que aquele momento, aquele exato segundo, poderia ser o motivo de toda a minha existência.

Mas, antes de acordar, você sonha mais do que devia. Você espera mais do que sabe que vai ter. E, mesmo sabendo de tudo isso, você nega o sentir de qualquer coisa, esquece seus próprios pretextos, e volta a ser exatamente um alguém a procura de causas e consequências. Racionalizando a simples e pura causa de qualquer dor ou delícia, você se transforma em seu único pretexto e, prevendo o inevitável fim, egoísta e impassível, você nega o sentir e carrega o arrependimento, com o orgulho e a destreza, de quem nunca sentiu nada e sempre encobriu qualquer que fosse a razão do sentir.

Tudo dentro dos nossos próprios limites. Respeitando a nossa própria história e evolução. Sem pensar ou repensar. Fazemo-nos homens. Imbatíveis, inseguros, efêmeros e imorais.

Abraços...

Sábado, Junho 11, 2005

The space between - 2*

Talvez seja essa um motivo. O espaço que existe entre a gente. Mais do que apenas a distância física que a idéia de espaço dá. A idéia que eu queria passar era a de não ter vivido. Claro que vivemos, cada um no seu caminho. Anos e mais anos sem palavras, sem saber, sem querer saber mais. Ao mesmo tempo é esse o espaço que me faz hoje, ao contrário de ontem, querer devorar tudo o que possa vir de você. Que me deixa encantando, extasiado. Que me faz lembrar aquela menininha sardenta dos tempos puros do colégio com uma saudade e um arrependimento por não ter sido capaz de simplesmente falar "oi" e ter marcado a minha existência exatamente a partir do primeiro dia. Mas mesmo assim eu ainda lembro. Da paranóia de um quarto esfumaçado, do beijo que vc roubou ao descer do ônibus, do dia que eu perguntei por você e que me disseram que vc tinha perguntado por mim. É tudo tão mais que complexo e tão distante. E agora, no presente, essa distância se faz real, verdadeira, e muito mais do que física. Hoje eu vejo essa distância física como o acúmulo dos dias que vivemos sem nos ver, dos dias que não nos cumprimentamos por qualquer besteira, das vezes que não te liguei mesmo com o seu telefone ali, na minha frente. É a distância da saudade do tempo perdido. É a distância dos dias que ainda nem chegaram, mas que já deixam saudades quase que eternas.

Abraços...

*dave matthews band - everyday - the space between

The space between - 1*

Se eu fosse falar de você, será que existiriam palavras? Será que eu conheço essas palavras? Será que eu te conheço?

Se eu te conhecesse, você me deixaria falar de você? Sem medo, sem querer ter medo? Sem tempo, sem querer ter tempo?

Se não existisse um tempo? Se não existisse medo? Se não existisse poder? Se só existisse o querer? Você ainda assim me deixaria falar de você?

Quero, muito mais do que penso. Penso, mais do que posso. Posso, nada a não ser sentir. Sinto, que não existem motivos que não sejam eu e você.


*dave matthews band - everyday - the space between

Sexta-feira, Junho 10, 2005

Eu não resisto...e fotografo.







Para quem interessar possa: eu amo essa guria.

Abraços...

Quinta-feira, Junho 09, 2005

Sou fã de Dave Matthews Band por vários motivos. Um deles é a música Crush, do cd Before These Crowded Streets. Outro é a música When the World Ends, do cd Everyday. E, entre muitos outros, o último que eu achei se chama Stolen Away On 55th & 3rd. Essa última pertence ao último cd, Stand Up.

Dave Matthews, o personagem, é uma figura cativante. Quem teve acesso a algum dvd ou entrevista sabe do que eu to falando. O baterista, Carter Beauford, é um dos melhores que eu já vi tocando. De um estilo surpreendente e, segundo declarações do próprio Dave Matthews, o músico mais completo que ele conhece, sempre pensando em "meio-tempo". Os outros personagens dessa minha banda favorita são tão magníficos quanto esses dois. Não vou gastar tanto tempo falando de todos pq só me interessam mesmo o vocal e a batida, o que, nessa banda, digamos, são excepcionais. Sem esses dois ingredientes, sem essa mistura, Dave Matthews Band seria uma banda qualquer. Claro que essas são opiniões super passionais e deixo aberto aqui o espaço para qualquer crítica. Mas eu só aceito críticas de quem já ouviu todos os cds da banda. Só ouvindo todos para saber exatamente do que eu to falando. Não que todos tenham que concordar. Mas eu duvido que discordem.

Do mais,(e eu tenho que fazer isso) deixo aqui o motivo da minha última paixão.

Hello again.
It seems like forever between now and then.
You look the same.
I mean, you look different but you haven't changed.

Funny to think how the time gets away.
Funny how you take me right back again.
Stole me away.
The first time I saw you you did me that way.
What should I say?

I saw you laughing, but I was afraid I might get in the way.
I did not think I would see you again, so how have you been?
Do you remember, I mean, everything?

Funny to think how the time gets away.
Funny how you take me right back again.
Stole me away.
The first time I saw you you did me that way.
What should I say?

Saw you there dancing, but I was afraid I might get in the way.
I did not think I would see you again.
Funny to think how the time gets away.
Funny how you take me right back again.
Funny the feeling when forever ends.
Stole me away.
The first time I saw you you did me that way.
What should I say?

Saw you there dancing, but I was afraid I might get in the way.
I never thought I would see you again, how have you been?
Watchin' the years as they trickle away?
Is there anything? Oh, how time gets away.
Funny how you take me right back again.
Steal me away.

It's like the first time I saw you, you do me that way.
What should I say?

I see you here standing, but I am afraid I might get in the way.
I never thought I would see you again, how have you been?
Do you remember, I mean everything?
You steal me away.
Like the first time I saw you, you do me that way
What can I say?
I see you standing and I am afraid I might get in your way.

Dave Matthews Band - Stand Up - Stolen Away on 55th & 3rd

Abraços...

Terça-feira, Junho 07, 2005

Um café...

Na incursão diária ao mundo dos blogs perdidos eu lembrei de um conversa que tive há pouco tempo com uma pessoa do passado que, incrivelmente, se projeta no futuro de alguns acontecimentos. Nessa conversa chegamos a pensar que, inconscientemente, as pessoas se encontram nas horas erradas. Elas se encontram, se amam, criam memórias, histórias e se perdem. Se perdem por ter sido aquela a hora errada, o dia errado, a vida errada.

Lendo aquele blog eu descobri também, dentre outras coisas, que dor de cotovelo é o medo de gastar o amor. Um amor mal gasto se torna o amor mal-resolvido e então vem a dor-de-cotovelo. Fantástico e simples. Mágico. Mas...acima de tudo isso, uma outra coisa me empolgou, muito além de qualquer coisa. Sem pedir a autorização dessa pessoa agora, eu vou tomar a liberdade de publicar o post.

"Encontros e Desencontros - ou "Fins são bons começos" MB

"Carta que eu enviaria a um amigo que eu voltei a ver feliz:

Amigo, O maior problema do amor é que geralmente o conhecemos pela mão dos primeiros amores. E os primeiros amores são grandes - grandes demais para serem os primeiros. Tenho a impressão de que os casais definitivos são formados por metades que já sofreram o suficiente de amor antes de se esbarrarem por aí. É como se a gente precisasse dessa pré-história para ter uma história.

O maior problema dos primeiros amores é que a gente espera tudo deles - menos que acabem. Mas eles acabam - acabam mais de uma vez - e nesse ponto as pessoas se dividem em dois grupos: o das que tiram disso uma lição definitiva ("o amor é um bicho que sempre morre cedo") e o daquelas que vêem nisso uma oportunidade de fazer tudo de novo.

Às primeiras eu não saberia o que dizer, até porque é bem provável que elas não ouçam mais nada. Às outras eu diria que fossem em frente e fizessem tudo do mesmo jeito, como se todo novo amor fosse como o primeiro.

"Mas o problema do amor não são os primeiros amores?" Sim, mas só enquanto eles são os primeiros, porque a chance de um primeiro amor não está em "alguém", não está num tempo, não pertence apenas a uma história: um primeiro amor pode ser todo amor, se ele for depurado pela humildade de voltarmos sempre ao começo - sem medo da gente nem do outro - e se tivermos a coragem de não desistir dele - sem medo da gente nem do outro.

É verdade: coragem e humildade não fazem um amor necessariamente grande, mas são a única possibilidade que eu vejo de um amor ser eterno - e a eternidade do amor está em vivermos o primeiro amor justamente no último, com toda a dor e toda a alegria que isso traz junto.

Há, portanto, irmão, esperanças - eternas e renovadas esperanças.

(Apesar dessa tristeza que vem ao cruzarmos com um amor de outro tempo : "Que pena que você chegou tão cedo, meu primeiro amor... Que pena que a gente tenha precisado aprender tudo isso justamente através de nós dois".)""

Sexta-feira, Junho 03, 2005

Crise Criativa - 4

Tudo ao alcance de um clique. Ao mesmo tempo, tudo à distância imensurável do toque. Isso me leva a crer que a minha teoria do "real" pode, por acaso, ser real. A minha teoria do real é a seguinte: Todos sofremos de uma única doença: Somos esquizofrênicos natos. Isso faz com que eu acredite que tudo a minha volta seja real, interaja com isso, crie e derrube os meus próprios personagens. Esses personagens também. Criam a sua própria realidade em acordo com a minha, afinal, a trama tem que se explicar por ela mesma. Deve haver um sentido nela, um começo e um fim. O começo é o choro umbilical. O fim é o choro do adeus eterno. O meio, entre loucuras e acertos e revéses, está a vida. Viver, então, é a realidade louca e transviada. Emaranhada, deturpada. Mas, como a instituição é anterior ao indíviduo, a loucura se torna a instituição e a tomamos como realidade. No caso, a vida. A vida, realidade louca, se torna a instituição, ao passo que ao tentarmos transgredi-la criamos outra instituição. É a idéia de tese e anti-tese dando origem à síntese. Essa síntese se torna de novo uma tese e esperamos, ansiosamente, uma anti-tese.

Do mais, confuso o bastante, eu descobri que Deus também sofre de uma crise criativa. A começar da criação do universo e de todas as coisas, ele foi como Van Gogh em seus primeiros momentos. De uma consistência absurda e ao mesmo tempo simples. Agora, quando ele se viu na dura missão de criar o "pé" humano, ele surtou e, não só cortou as próprias orelhas, mas, enfiou uma agulha nos próprios tímpanos. E por isso, hoje Deus é surdo. A magnitude e magnificência do divino sintetizadas ao ritmo obscuro da nona sinfonia de Beethoven.

Abraços...

   
Beba-me! Coma-me!