Como sempre, tudo parece ser "tarde demais". É tarde demais para voltar. Tarde demais para voltar atrás. Tarde demais para pedir desculpas. Tarde demais para pedir qualquer coisa. Como sempre, o sempre nunca é o bastante, nunca sempre impera e o nada é praticamente o meu Deus, minha fé. Fé - maldita seja. Malditas sejam todas as palavras que não deviam ser ditas, todos os dias que não deviam ter existido e todas as vezes em que eu pequei por simplesmente ser o que eu sou. Se lamentar bastasse, se fosse isso suficiente para todo o meu mundo se tornar real, se qualquer sonho pudesse, se tudo simplesmente não ruísse, talvez um dia eu saísse da minha superficialidade infantil e ridícula. Foda-se. Cansei de mim. Cansei de tentar ser. Cansei de tentar. Cansei de existir só pra mim. De tornar tudo tão real e puro só pra mim. De ter tanto e nada. De não ter nada. Exatamente nada e nenhuma escolha a não ser a mesma. As mesmas dores. Os mesmos medos. O avesso de tudo e a essência do nada

Empoeirado

Antes da Esclerose


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Sexta-feira, Julho 29, 2005

Da sessão "vale a pena ler de novo"

Acho que toda e qualque explicar seria fraca demais. Deixaria tudo e qualquer coisa sem sentido - mesmo que já não haja nenhum. Um grito de socorro é sempre abafado, seja pela dor, seja pela própria voz ou desespero daquele que tenta socorrer. Talvez eu não faça sentido. Talvez eu já não sinta mais.

Post do dia 25 de janeiro de 2005.



"Alguns motivos, mesmo que sem motivo. Algumas considerações, mesmo que com algum desprezo. O mundo girando. A noite chegando. As estrelas caindo. O sol do outro lado do mundo. A lua e a sua tristeza crônica. Os gatos ariscos. O vento. As sombras estranhas. Os vultos. As formas desformes de silhuetas e delírios. O vazio. O frio. O sonho. Um sonho. O susto. O encontro. Conversas, sorrisos, cafés. A noite até o dia. O dia. O outro dia. O desejo. O sempre. O sim. O talvez. O não de um sim com medo de um talvez. O diz que me diz. O diz que condiz. Que não diz. Que não quer. Que quis. Quis de querer, de ficar, de ouvir, de saber. De querer sem motivo. De ser. De querer ser. De tentar ser. Ser seu. Só seu. Todo. Tudo. Nada. Nunca a metade. Nunca calado. Nunca sozinho. Nunca. Sempre. Talvez. Quem sabe se, quem sabe quando?"

******

"our dreams are so related though they are often underestimated"*

Abraços...

Sexta-feira, Julho 22, 2005

Mentiras, farsas e promessas

Cansei. Cansei de ser eu. Prefiria ser eu quando eu fingia ser eu. Era mais divertido. Tanto pra mim quanto para qualquer outra pessoa. Eu fingia e fingia e cheguei a até acreditar que não estava mais fingindo nada. Era simplesmente eu, tamanho o fingimento. E encontrava pessoas que fingiam não fingir e eu fingia acreditar que eles não fingiam. Acreditava, cinicamente, que eles eram as pessoas mais felizes e descoladas. Eu tinha que acreditar, afinal, eu era um deles. Não estou falando de um grupo específico ou fingindo não generalizar, mas, na maioria, nossas máscaras são as mesmas.

Mentiras, farsas e promessas. Tudo envolvido em crepom e esperando que se derrame a água de um copo qualquer e que aquilo tudo perca a sua cor. Aí vc embala tudo de novo, finge que nada aconteceu e espera o outro copo, a outra chuva, o outro choro. E lá, entre cores e descores, estão as farsas, mais do que honestas, de pessoas que fingem tudo o que são, acreditando uma nas outras e jurando à eternidade tudo o que possa ser aquilo - seja por medo ou por caridade.

Mas...hoje eu sou mais do que sem graça. Esqueci o meu crepom, perdi o ponto do crochê. Minha trama perdeu a simetria e já não há mais valsa. No baile cotidiano dos arlequins eu já não encontro mais a colombina. Tudo é drama, tudo é guerra, tudo é chama, tudo é pó e a infinita e absoluta certeza é de que sopra um vento que vai derrubar aquele castelinho de lama e palha.

E o conto de fadas continua. A nossa história, a nossa ficção rotineira. Um roteiro sórdido de histórias vagas, supérfulas, inadequadas. Mentiras, farsas e promessas. Não é a minha vez de jogar. Eu mal conheço as regras e, do mais, eu já cansei desse jogo, seja ele qual for. Eu já não acredito mais. Não quero mais acreditar e, se isso importar a qualquer pessoa, eu acho que eu nunca acreditei - nem em mim mesmo.

Despite all my rage i am still just a rat in a cage.*

Abraços...

Quarta-feira, Julho 20, 2005

Eu nunca vou esquecer desse dia.

Post do dia 18 e julho de 2004.

"Enquanto Deus faz da minha vida um inferno, eu faço pouco caso das coisas sérias, brinco com a ordem normal das coisas e ainda saio como vítima de um acidente.

Vez em quando eu sou o responsável por fazer a massa das pizzas. Tudo muito simples e seguindo uma receita a olho: óleo até o cuturuco do montinho da tina onde se bate a massa, um e meio copo de açúcar, um copo de sal, 2/3 do pacote de fermento biólogico (atenção para guardar o outro terço para a próxima massa), 3 jarras de água morna, saco gigante de farinha. Tudo dentro da tina e a máquina, super informatizada, trata do resto. Essa máquina tem dois botões: Start de cor preta e o Stop de cor vermelha. Ela também tem, em uma única alavanca, três controles de velocidade: 1-devagar, 2-rápido, 3-muito rápido. Na mesma máquina, de tecnologia praticamente suiça, você também consegue ralar queijo e moer carne, dependendo do apetrecho utilizado.

Quando eu estava aprendendo a fazer a massa, o meu tutor disse assim: "Tome cuidado com a velocidade. A massa tem que ser batida na primeira velocidade, se você colocar na segunda ou na terceira você não vai sair daqui com vida.". Assustador! Fiquei tão horrorizado que durante todo esse tempo eu fiz a mesma massa, sempre checando a velocidade, vendo se tudo estava no seu devido lugar e checando novamente tudo antes de apertar o botãozinho preto.

Hoje eu acordei meio estranho, chateado. Logo de manhã o sol estava batendo forte e eu já não queria fazer nada! Como eu disse, Deus anda fazendo da minha vida um inferno e o calor de hoje de manhã era praticamente o da porta do purgatório e o do almoço seria o bafo do capeta. Quando eu cheguei na pizzaria, consultei minha lista de afazeres pela minha cabeça e lá estava a massa. Rotina é sempre uma merda, eu pensei. Lá vamos nós. Algumas pizzas foram abertas, como em todas as manhãs e a sequência seria a massa das pizzas de amanhã.

Óleo, fermento, açúcar, sal, água - batidinha para dissolver o fermento, farinha, checar velocidade, checar novamente a velocidade. Olhei para um lado, olhei para o outro. A alavanca sempre fica na velocidade três que é a mais utilizada para ralar o queijo e quem rala o queijo nunca volta a alavanca. Eu coloquei a alavanca na primeira velocidade, olhei para o lado e lá estava o Carlos, bem próximo a máquina, lavando alguma coisa na pia da cozinha. (Abrindo um espaço para o Carlos: Catarinense, orelhudo, baixo, magrelo, fumante, indeciso, casado, três filhos, endividado, científico - ele marca o tempo de tudo, formula qualquer coisa - e ele tem um jeito engraçado de lidar, empiricamente, com a fabricação dos sanduíches: ele olha o pão - olha a comanda - olha o pão de novo - confirma o tamanho - volta para a comanda - ameaça pegar o alface - olha de rabo de olho para a comanda - pega o alface - põem no pão. Figura!) Eu voltei a alavanca para a velocidade três. Olhei de novo para o Carlos, dei um sorrizinho sacana, me preparei para a corrida e liguei a máquina....caaaaaaaaaraaaaalho! Quando eu olhei pra trás, só tinha fumaça de farinha e o Carlos do lado da pia olhando para trás querendo saber o que tava acontecendo....a tina da massa parecia um vulcão! ela cuspia massa, farinha, água e fermento até o teto! o barulho era insuportável e o Carlos continuava olhando para a máquina e olhando pra mim!

No mesmo pulo que eu dei fugindo da máquina assassina, eu voltei para desligar a máquina...quando eu me aproximei do botão preto um dos meteoritos de massa veio direto no meu olho! certeiro! eu fiquei cego e não achei mais o botão preto...voltei pra trás...limpei o olho e fui de novo! Consegui. Desliguei. Olhei para o lado o Carlos estava na mesma posição, coberto de farinha e massa mole, com o olhar mais científico do mundo me perguntando o que tinha acontecido...e eu, com massa no olho, farinha até a canela, rindo de me mijar!

O mais legal de tudo é que ninguém nunca vai acreditar que eu fiz de propósito. Só eu. Eu até tentei convencer as pessoas que foi de propósito....todo mundo riu, principalmente por eu estar todo branco. Insano."

Abraços...

Segunda-feira, Julho 18, 2005

Talvez seja falta de tempo. Não de tempo para escrever - isso eu tenho tido de sobra - mas tempo vivido. Do mais, para suprir essa minha falha criativa, vou reviver alguns posts que me chamam a atenção.

De vez em quando eu me pego relendo o meu blog e lembro de coisas e histórias e sinto muitas saudades de tudo isso. Muitas outras vezes nem parece que sou eu o autor de tais posts. Enfim....esse post que estou "revivendo" aqui é bem do começo desse blog. Me lembro exatamente do dia que isso aconteceu. No dia anterior eu havia me encontrado com uma figura que eu jurei nunca mais querer encontrar. Por orgulho, talvez. Mas hoje eu sei o porquê eu a reencontrei e eu sei o porquê de ainda nos acharmos tão importantes um para o outro. Sinceramente, só o tempo mesmo pra me fazer descobrir isso.

A fumaça da paixão que queimava e que se transformou em cinzas sem que percebecemos, a bituca esmagada e torcida como prova de que tudo existiu mas que naquela hora só poderia ser amparada por um cinzeiro em algum canto de um bar escuro saboreando, saudosamente, o gosto pelas amenidades.

"Post do dia 19 de agosto de 2003."

Duas bitucas se encontram em um cinzeiro de boteco.

Já fazia algum tempo que não se viam...olhares soltos...palavras vagas...

Odeio ter que reencontrar aquilo que eu não queria mais. Quase que uma obrigação é ter que olhar dentro daquele cinzeiro e lembrar de tudo o que já aconteceu e que, talvez, nunca mais aconteça de novo. É inevitável lembrar de tudo. É inevitável o sorriso, a felicidade de poder ter vivido aquilo...e não ter vivido sozinho. A certeza de que foram realmente felizes. Um gole na cerveja..."até um dia"....

Quem sabe "se", quem sabe "quando".....

........ficamos nas reticências....e mais uma vez a minha bituca continua lá....




Quarta-feira, Julho 13, 2005

Verão é tempo de mosquitos. Hoje, ao abrir a porta para entrar no prédio, um mosquito entrou junto comigo e foi generosamente apanhado pela teia de uma aranha que pacientemente montou a sua rede no canto entre o batente e a parede. Eu só notei isso pq o mosquito era muito grande. Um verdadeiro mastodonte perto da singela e delicada aranhinha.

Meu primeiro instinto foi o de tirar o mosquito daquele martírio. Por um senso de sobrevivência ou por um complexo de vítima inerente ao homem, eu quis salvar aquele mosquito. Mas eu não pude, por sadismo ou curiosidade, resistir ao show da luta entre a vida e a morte. E eu me senti naquela teia e pensei se o mosquito sabia exatamente o que estava acontecendo. Acredito que não. Não é a primeira vez que assisto um mosquito ser pego por uma aranha e não lembro de algum que tenha se livrado. Isso faz daquela experiência única para o mosquito. Inesperada e sorrateiramente preso a uma teia de aranha. Lutar até morrer e morrer lutando ou se entregar às teias cruéis do destino e desistir?

O mosquito, enfrentando a morte disfarçada de aranha, grudou na teia e instintivamente se debateu para se livrar daquilo. A aranha, surgindo do nada, se aproximou rapidamente do mosquito até o ponto de encostar em uma de suas asas. Aí foi que o mosquito deve ter se dado conta de que aquilo não era uma trama do destino, do acaso, e sim uma mosntruosa arma conscientemente armada em um ponto estratégico. A aranha não deu sinais que apostaria no cansaço do mosquito e rapidamente foi formando uma outra rede ao redor do mosquito e justamente envolvendo as partes que mais se debatiam. O mosquito ficou completamente imóvel. A aranha pacientemente foi tecendo ainda mais teia ao redor do mosquito que só esperava. Será que ele sabia o que ele estava esperando!? Será que ele realmente estava esperando alguma coisa!?

Ainda dava tempo de tirar o mosquito daquela enrascada. Mas eu olhei para a aranha que por todos os méritos da evolução natural apanhara o seu jantar. E foi nessa hora que eu me vi do outro lado. Do lado do predador que não mediu riscos para capturar a sua presa e que, paradoxalmente, é aquela a sua única fonte de vida.

A questão era: Salvar o mosquito ou salvar a aranha?

O mosquito, do mesmo jeito que foi pego por aquela teia, sairia voando e cairia em outra. A aranha voltaria a tecer a sua teia para capturar algum outro mosquito distraído. E a minha intervenção seria nula. O mosquito não aprenderia como escapar de outras teias. A aranha não deixaria de se alimentar de mosquitos. E a vida continuaria examente como antes de eu abrir aquela porta. Então foi a porta a culpada, ou melhor, eu ter aberto a porta fez com que aquele mosquito entrasse e fosse parar exatamente na teia daquela aranha minúscula. A culpa então era minha. Será que se eu nunca tivesse aberto aquela porta, aquele mosquito e aquela aranha iriam se encontrar?

Matei os dois.

Abraços.

Sábado, Julho 09, 2005

Poucas coisas têm me estimulado ultimamente. Ontem, hipnotizado pelos "olhos de gato" na estrada, me peguei pensando em coisas que eu achei que nunca mais fosse pensar. Pensei em pessoas, em figuras passadas que o tempo, com a sua força super-hiper-invisível, fez com que tomassem rumos ou que escolhessem caminhos distantes ou diferentes dos meus e que, por acaso, eram pessoas que tiveram ou têm alguma importância pra mim. Talvez essas pessoas nunca tenham notado essa importância, talvez elas nem se lembrem mais que eu exista ou, ainda, eu talvez nunca tenha realmente existido para elas. Mas, no mais, todas as pessoas foram importantes. Talvez ainda sejam.

Foi uma sensação estranha. As memórias se misturavam com sensações e temperos e sentimentos. Mas, no meio de tudo, eu me vi frente a uma coisa chamada indiferença. Eu nunca tinha sentido isso antes. Mas, naquela hora, para aquela figura, mesmo que fosse no presente ou no futuro, eu não sentia nada. E fiquei assim por horas, me debatendo e tentando encontrar alguma coisa que me fizesse odiar ou querer odiar, alguma sensação de pena ou dó ou até mesmo carinho. E nada.

E eu me senti triste. Triste pq o meu passado é a parte real da minha história. Ao futuro eu deixo os sonhos e muitos deles não se realizam. E a minha história é parte da história daquelas pessoas. Eu sou consequência de todas aquelas relações. Algumas boas, outras ruim, outras péssimas, mas é história. Serei eternamente ligado ao meu passado e indiferente àquela parte foi como não ter vivido. Foi como se o tempo que se fez tempo tivesse deixado um branco, apagado o que ali existiu ou qualquer coisa que pudesse ter existido ali.

E eu me mergulhei numa angústia engraçada. Estou livre e agradeço por estar livre. Mas não sei lidar com a minha indiferença. Não posso julgar a indiferença alheia. Mas não consigo lidar com a minha própria indiferença. E é isso que me deixa triste. E por mais motivos que possam existir, bons ou maus, eles se anulam. E eu não encontro um que seja maior e que me faça sentir qualquer coisa.

Eu senti pena de mim mesmo. Por ter chegado ao ponto de conseguir negar a minha própria humanidade e o meu direito a ser indiferente. O meu direito a não me importar, a olhar para trás como se aquilo não fizesse mais parte. Mas faz. Só que eu não sei o que sentir e, mesmo quando quero sentir alguma coisa, eu não sinto nada.

Eu não sei odiar, isso eu tenho certeza. Eu só não sinto nada....e isso é uma pena. Por mim.

Quinta-feira, Julho 07, 2005

Você seria capaz de guardar um segredo?

http://postsecret.blogspot.com/

Que tal fazer um cartão postal caseiro com o seu maior segredo escrito nele e o enviar para aquele blog do link acima?

Não tem coragem!?

Abraços...

Segunda-feira, Julho 04, 2005

Enfim, vontade de escrever mesmo sem saber o quê ou porquê. Mas...seja sobre música então. A coisa mais engraçada aconteceu outro dia. Adoro falar sobre música...acho que sou o campeão do envio de mp3 pela internet. Todos os cds que eu compro, sejam lançamentos ou títulos do passado, eu sempre quero dividir. Recebo alguns também e assim vamos compartilhando o conhecimento. Nessas trocas casuais "emepetrísticas", um amigo falou que tinha curtido muito um som que eu tinha mandado pra ele. Eu perguntei qual era e ele disse "The Kings of Convenience". Eu pedi desculpas, não queria chamá-lo de louco, mas que eu nunca tinha ouvido falar daquela banda. Ele teimou e disse que tinha certeza de que eu era o responsável por aquele arquivo que apareceu no computador dele. Eu procurei no meu computador e não vi nada parecido. Nenhuma sombra de nenhum arquivo de nome que fosse próximo àquilo. Pedi logo para que ele enviasse o arquivo para que eu ouvisse e tivesse certeza do que ele estava falando. Ele resmungou um pouco e enviou. O arquivo veio com o nome "Singing". Assim que chegou eu coloquei pra tocar e tive certeza absoluta que nunca tinha escutado aquela banda e disse isso a ele. Ele disse que talvez estivesse mesmo louco mas que tinha "quase" (dessa segunda vez ele disse "quase") certeza de que tinha sido eu a pessoa que tinha enviado aquele arquivo a ele.

Loucuras e delírios à parte, eu fiquei tão empolgado com a música que acabei tocando no assunto com outro amigo. Entre um arquivo e outro eu falei pra ele que tinha recebido uma música muito legal e que iria correr atrás do cd daquela banda e que ele precisava ouvir. Ele perguntou o nome da banda e eu disse: "The Kings of Convenience". "Ah sei...", ele disse, "você já tinha comentado comigo dessa banda antes". Eu ri e disse que não era possível pq eu tinha recebido o arquivo no dia anterior e ainda não tinha conversado com ele a respeito. Mas ele insistiu e foi enfático dizendo que tinha absoluta certeza de que eu tinha comentado com ele sobre aquela banda e sobre outra banda, a banda Thou. "Sim, a banda Thou eu lembro", eu disse, "Mas isso faz muito tempo, quase dois anos atrás ou mais, e eu tenho certeza absoluta que não conhecia o The Kings Of Convenience naquele tempo". Eu tentei e tentei e tentei, ele não se convenceu. E disse que eu devia estar ficando louco, delirando ou que tinha memória de peixe. Poderia até ter sido uma armação se os dois não se conhecessem e se eu tivesse comentado sobre o primeiro amigo que entrou mais ou menos na mesma paranóia, mas eu só comentei com ele depois e isso só deu a ele mais certeza de que eu já tinha comentado com ele sobre o tal The Kings of Convenience.

Eu nunca tinha ouvido nada dessa banda, absolutíssima certeza. Comentei sobre a qualidade da música com o meu irmão e quando ele ouviu a música ele disse que já tinha escutado aquela música antes e que eu havia mostrado ela pra ele. Eu juro, juro, juro por tudo e todos que eu nunca tinha ouvido nem um terço do nome dessa banda que nem é tão difícil de ser lembrado. Aí eu comentei com ele que ele já era o terceiro a falar isso pra mim e ele riu.

Pois então...AGORA que eu conheço essa banda, eu quero anunciar para o mundo que ela existe. É boa. É muito boa. Sim, eu fui atrás de todos, quase todos, os detalhes dessa banda. Eles são noruegueses e fazem parte de uma coisa que andam chamando lá na Inglaterra como "New Acoustic Movement". As músicas lembram um pouco a nossa velha bossa nova. Uma melodia suspirante com cheiro de manhã gelada e chuvosa e uma voz super agradável. Eirik Glambek Boe e Erlend Oye são os nomes dos integrantes dessa banda, ou dupla nórdica. Só posso dizer que vale a pena. Muito, aliás. E também quero repetir que até anteontem eu não fazia idéia de que essa banda existia. Eles lançaram quatro cds até hoje, descontando os "ep's" e "singles". Desses quatro cds, um é uma compilação de músicas remixadas e se chama Versus (2001). Não gostei muito mas faz parte da coleção. Dos outros três cds, um carrega o nome da banda, "Kings of Convenience" (2000), o outro é o "Quiet It's The New Loud" (2001), que inclui a música "Singing Softly To Me", e o último é o "Riot On An Empty Street" (2004).

Boa sorte a todos e eu quero ratificar aqui que eu não conhecia essa banda até dois dias atrás.

Escrito ao som de "The Kings of Convenience, Singing Softly to Me"

Sábado, Julho 02, 2005

Existem coisas que só a insônia faz por você.

Uma delas é te deixar com olheiras.

Abraços...

   
Beba-me! Coma-me!