Como sempre, tudo parece ser "tarde demais". É tarde demais para voltar. Tarde demais para voltar atrás. Tarde demais para pedir desculpas. Tarde demais para pedir qualquer coisa. Como sempre, o sempre nunca é o bastante, nunca sempre impera e o nada é praticamente o meu Deus, minha fé. Fé - maldita seja. Malditas sejam todas as palavras que não deviam ser ditas, todos os dias que não deviam ter existido e todas as vezes em que eu pequei por simplesmente ser o que eu sou. Se lamentar bastasse, se fosse isso suficiente para todo o meu mundo se tornar real, se qualquer sonho pudesse, se tudo simplesmente não ruísse, talvez um dia eu saísse da minha superficialidade infantil e ridícula. Foda-se. Cansei de mim. Cansei de tentar ser. Cansei de tentar. Cansei de existir só pra mim. De tornar tudo tão real e puro só pra mim. De ter tanto e nada. De não ter nada. Exatamente nada e nenhuma escolha a não ser a mesma. As mesmas dores. Os mesmos medos. O avesso de tudo e a essência do nada

Empoeirado

Antes da Esclerose


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Quarta-feira, Setembro 21, 2005

Conto de fadas - 4

Morreu arrependida.

Chorou cheio de incerteza.

Contaria toda a verdade.

Nunca soube a verdade.

Ainda o amava.

Para ele, ainda se amam.

Conto de fadas - 3

- NUNCA!
- isso é muito tempo - suspirou.
- NUNCA! O que tem de tempo nisso?
- Nunca é quase sempre eterno. Qual nunca você escolhe?
- Nunca é nunca. Se existe algum outro, ainda não tive o prazer de conhecer.
- Talvez seja porquê você ainda não conheceu o nunca...talvez tenha conhecido variantes temporais e de significados parecidos...
- Como assim?
- Assim, oras. Você diz nunca querendo dizer que o seu nunca é nunca. Mas, o seu nunca não dura a eternidade para que isso se torne nunca. Sem contar que nós também não viveremos para ver esse nunca. O seu nunca é exatamente o que tempo que você vai demorar para esquecer aquilo e fazer de novo...
- ....
- Deixa pra lá...
- Deixa pra lá o quê!? Você acha que vai...que pode chegar aqui e jogar um monte de palavras em cima da mesa e simplesmente sair andando!?
- Essas palavras sempre estiveram aí. Eu só fiz juntar.
- Sempre!?
- Sim, sempre.
- E sempre não seria também uma questão de eternidade? Eternidade a qual estamos fadados a não conhecer?
- Pode ser...
- Pode ser, meu!? Tá...então...qual sempre você escolhe!? O sempre eterno que inclui um passado de arrependimentos e um futuro de incertezas!? Ou o sempre que é exatamente o tempo que vai demorar para que você esqueça sobre tudo e comece a errar de novo?
- Meu Deus! Por quê é que eu resolvi entrar nesse assunto!?
- Não sei...
- Nem eu...
- Sua vez...
- Ah é!? Não, é sua. Inclusive, como sempre, você tá em cheque
- Como assim!?
- Assim...cavalo, ali ó, do lado do seu bispo. Fica esperta com a minha rainha ali ó, do lado do seu outro cavalo. E também com aquele peão.
- Eu nunca vou conseguir sair disso...
- Então é cheque...
- Mate.

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

Conto de fadas - 2

Indignado com a realidade e com todos os fatos, ele escreve uma carta. Talvez ela nunca a receba.

"Because friends don't waste wine when there's words to sell *

Ontem eu não tinha nada. Hoje tampouco. A diferença é que ontem, mesmo sem nada, as palavras pareciam em ordem. As palavras tinham muito mais poder. Hoje elas não têm nenhum. São um amontoado de letras perdidas, jogadas em uma folha qualquer, entregues ao acaso de qualquer sentimento. Essa desordem, quase que sem motivo, cruel como toda desordem, ao contrário do que pode parecer, me deu motivos. Ontem eu não tinha motivos. E esse motivo reside em qualquer coisa que, por mais que eu queira, não existe. E, mesmo assim, nunca tive nada mais real.

Mas, realidade é questão de estatística e eu nunca fiz parte de nenhum grupo ao qual qualquer estatística se aplicasse. E, talvez, seja isso mesmo, eu não tenha envergadura semântica para discutir tal tema - ou nenhum. Talvez não consiga interpretar esse papel e deixei de tentar também. Nunca fui dos melhores atores. Sou uma farsa, diria, e assumo que sou muito mais preso ao tempo do que o coelho branco jamais fora. Mas, hoje, olhando para esse tempo, parece ser a única coisa que tenho e isso, contrariando tudo, se torna a minha única realidade.

E eu não quero me render e não tenho escolha. Você cederia!? Quem cederia ao desconhecido, ao acaso, às idéias? Quem cederia às palavras? Palavras sempre tão intransponíveis, um muro invisível, um limite. E, além desse limite, onde elas perdem qualquer valor, é que eu me encontro. Frustrado, irreal, limitado, mas não menos feliz. Feliz sim. Depois de tanto tempo embalado, ao alcance das traças, saio desse armário de ilusões e me entrego. E dure isso o tempo que for, mas que seja eterno, dissera Vinícius.

A retórica da arte do sentir ainda me mata.

Eu.

* Interpol - Obstacle 2"

Quinta-feira, Setembro 15, 2005

Conto de fadas - 1

Ele nunca entendia nada. Por mais que ela quisesse, tentasse e mostrasse, ele não entendia. Talvez ele nunca tenha tido vontade de entender. Palavras são muito complicadas, ela dizia. E ele só aceitava. Aceitava, mas nunca calado. Não, armar-se-ia toda a lona do grande circo de idéias, e, uma simples resposta, direta e incisiva, derrubaria tudo. Foi assim que passou a cogitar a existência do destino. Mas, não o aceitaria, claro. Aceitar tudo não significa aceitar o todo, ele dizia. E ela sabia, ela sempre soube.

Sábado, Setembro 10, 2005

Abelha.




Quinta-feira, Setembro 08, 2005

Todo o dia eu te procuro
te sigo, persigo
E todo dia você some
e o todo e o tudo é só o escuro.
E é esse o feitiço,
É essa a maldição,
Carregar seu nome,
suas cores
e, mesmo assim,
viver no chão.



Terça-feira, Setembro 06, 2005

Uma xícara de café para alimentar a insônia. Um cigarro, mas só para matar outros cinco minutos. Preparo a minha cadeira. Escolho a trilha sonora e leio qualquer notícia. Enfim, uma noite como outra qualquer, não fosse essa vontade absurda de me teletransportar. Ah, e o acaso sempre brincando com as coisas sérias - desaforo.

Ai ai...

Crise Criativa - 5: No meio de todos os motivos e pretensões: o amor. Dos encontros aos desencontros. Do encanto ao desencanto. Amor. Qual outro nome? Se ser feliz não bastasse...ah...se ser feliz não bastasse. Quem sabe se?....quem sabe quando? Mortos pela própria euforia. Enforcados em suas próprias palavras, juras de amor eterno e inacabável. Inabalável. Se ser feliz não bastasse...O que conforta é saber que nunca é o mesmo. E não existem atalhos. Não existe tampouco saída. Só existe a vida e seus detalhes perversos e sutís, suas tramas, seus planos infalíveis e seu jogo maquiavélico. Vivamos...ora, vivamos. Sem medo, sem pré-conceitos. Sem intenções, expectativas. Vivamos os dramas cotidianos, os dramas casuais, banais, triviais. Um dia ouvi que nada é trivial. Talvez sim...talvez tudo seja. Pq não pode ser a vida o melhor sinônimo de trivialidade? Eu acordo das minhas memórias e aqui estou, magicamente prostrado em frente ao computador tentando explicar o amor, a vida e que a minha única ambição é ser feliz.

E, por tudo isso, eu não sei o que escrever....

Abraços...

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

O poeta enfeitiçado
Esse mundo branco e preto de memórias coloridas
Esse céu de azulejo com nuvens esquecidas
Esse sol cansado que se entrega à noite tão falida
Vi estrelas, mas não vi a lua
Sozinho, a escura, escura rua
Desperdicei palavras, versos, sonhos
Minutos eternos e desumanos
Serenatas, sonetos, redondilhas
E a janela que nunca se abria

   
Beba-me! Coma-me!