Quinta-feira, Dezembro 29, 2005
Eu não acredito em Papai Noel, Coelhinho da Páscoa ou qualquer outra entidade que não seja o meu cinto de segurança.
Novembro, 05 de 2005
Abraço.
Domingo, Dezembro 18, 2005
Sem fim
Se existe medo, ele já não domina.
Se existe sonho, já não dorme.
Quantas vezes pediu
Quantas sentiu.
Um sonhador que nunca dorme
Em um sonho que nunca acaba.
Ontem, talvez. Amanhã nunca.
Hoje, agora, já.
Figuras destorcidas
Em espelhos desbotados
Um mundo em preto e branco
Em um filme relançado
Cores de um amor eterno
Flores de um sofrer sem fim
Se acabasse em fim
Se houvesse fim
Se fosse esse mais outro sonho
Se fosse isso o medo que vive em mim.
Sem fim...
Sem fim...
Sem fim...
Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
Da série "Fudido, ferrado, quebrado e sem um dolar furado"
Eu não expliquei direito a história do acidente. Enfim...vou contar em detalhes. Aliás, fiz esse texto como reconstituição do acidente e o transformei em SPAM. Mandei pra todo mundo que me perguntou o que tinha acontecido. Não deixei nenhum detalhe de lado e pra quem se sentir ultrajado...sinto muito.
Antes de sair do restaurante, eu sentei e comi um prato de ravioli de abóbora com frango. Pra acompanhar, eu me servi de uma brahma. Tudo delicioso, tomei aquela brahma como se fosse a chave para o paraíso. Sábado, o restaurante ficou tão cheio. A gente pulou miudinho, como eu digo. Muito movimento. Foi ótimo e eu precisava daquela cerveja. Aí, as garçonetes terminaram a limpeza e tudo o mais e foram embora. Eu fechei o caixa e fui até o escritório. Estava ouvindo um cd do Yo La Tengo, Summer Sun e dançando. Aí, me arrumei para ir embora mas, antes disso, tive que dar uma passadinha no banheiro. Fiz cocô, lavei as mãos e saí. Liguei o meu carro e lembrei que talvez estivesse esquecendo alguma coisa. Voltei ao restaurante e fui até a porta do fundo ver se a tinha fechado. Tudo certo, ela já estava fechada. Saí...cantando Little Eyes...parei no posto de gasolina e enchi o tanque e comprei um maço de cigarros. Voltei ao carro, entrei, coloquei o cd do Yo La Tengo e acendi um cigarro. Coloquei o cinto de segurança, como sempre faço, e saí. Algumas milhas depois, eu liguei para o meu irmão. Sábado (5 de novembro) foi aniversário dele e eu tinha combinado de ir até a casa da sogra dele para comer um bolo. Desliguei, ultrapassei uma fila de carros lerdos, mas, que fique bem claro que eu não estava correndo. Foi então que, ali, onde o farol do carro acaba, eu vi alguma coisa atravessando a pista e aquilo cresceu ao tamanho do infinito e à velocidade da criação do universo e de todas as coisas e se transformou em um veado. Eu consegui desviar do corpo dele mas não da cabeça. Nunca vou esquecer a cara daquele bicho batendo no pára-brisa do meu carro. Nessa tentativa de desviar do veado, eu sai da pista para o lado direito e perdi o controle do carro. Foi tudo muito rápido e o carro já estava capotando e eu só pensava em proteger a minha cabeça. Na primeira capotada, eu bati ou alguma coisa bateu na minha cabeça. Depois, eu apoiei os braços no teto do carro e prendi a minha cabeça dentro dos meus braços. Eu parecia um bonequinho de brinquedo. Minha cabeça, meu corpo, parecia ir para todos os lados. Me senti em uma máquina de lavar. Quando o carro parou, eu abri os olhos e tudo parecia torto e a única coisa que eu vi foi fumaça. Primeira reação: retirar o cinto. Segunda: abrir a porta - emperrada. Terceira: tentar abrir a porta novamente - frustrada. Quarta: sentar de lado, apoiar uma mão no volante, a outra no banco e dar com os dois pés na porta - ela abriu e bateu no outro lado da lataria tamanha a força e o meu desespero. Saí do carro correndo e vi que estava no canteiro central. Pura sorte - poderia ter saido correndo no meio da pista que eu nem teria notado. Fui até o guard rail e aí eu olhei para o carro. Completamente destruído. Quinta reação: voltar ao carro para procurar os documentos e o meu celular. Foi então que eu vi o estado que a coisa estava por dentro - tudo revirado, misturado. Peguei a minha mochila, a mochila do meu irmão e o meu celular que eu consegui achar entre o banco do passageiro e a porta - não me pergunte como. Saí do carro carregando tudo - durante todo esse tempo os carros que pararam na estrada gritavam para que eu saísse do carro imediatamente. Finalmente, quando saí do carro, liguei para o meu irmão. Desliguei, olhei para o lado e lá estava a polícia. Liguei para as duas garçonetes que tinham acabado de sair do restaurante um pouco antes que eu. Nisso o policial só queria saber se eu estava bem e se tinha alguém comigo no carro. Eu disse que estava, que tinha sido um veado, mas eles pensaram que ou eu estava bêbado ou correndo muito. Perguntaram mil vezes se eu estava bem. Primeira gargalhada: outras viaturas chegam no local e saem do carro e passam por mim perguntando onde estava o motorista, se ele estava preso ou o que tinha acontecido com ele. Quando o policial que estava comigo dizia que era eu o motorista, eles me olhavam de cima a baixo - desacreditavam. Foi então que seguindo ordens do policial e tentando me acalmar eu fui até o outro lado do carro, perto da viatura. Foi então que eu vi o lado do passageiro do meu carro - completamente destruído. Aí eu lembrei a sensação dos pedaços de vidro explodindo no meu rosto. Era do lado do passageiro. Se eu estivesse com alguém no meu carro, essa pessoa teria morrido. Foi aí que eu chorei. E nessa hora também veio o meu irmão, ele chegou antes da ambulância e dos bombeiros. As garçonetes tbm. Meu irmão disse que só acreditou que eu estava vivo pq eu tinha ligado pra ele. Os bombeiros chegaram e pediram para que eu aceitasse ir ao hospital. Fizeram todos os exames de dor e tals. A única coisa que sangrava era o meu cotovelo, só um arranhão que eu tinha percebido assim que saí do carro e falei com o primeiro policial e, naquele mesmo momento, eu tbm tinha procurado outros machucados e não tinha notado nada. Aceitei ir para o hospital e os bombeiros simplesmente me embalaram em fitas e talas e imobilizadores e eu mal conseguia respirar. Falei que eles estavam me matando, eles riram. Finalmente um policial vem e diz que encontraram o veado morrendo no alto de um morro e que eu estava certo. Aí chega a ambulância. Entrei na ambulância. Aproveitei bem a carona - sempre quis saber como era estar dentro de um lugar desses. Segunda gargalhada: Eram três pessoas na ambulância: o motorista, Cindy, uma enfermeira, Chris, eu acho, e um senhor, Bob. Assim que fecharam as portas da ambulância os dois começam a brigar. Ela dizia que queria o aquecedor ligado, ele dizia que queria só ar, ela dizia que o vento frio estava vindo para o meu rosto. Aí eu não resisti e comecei a perguntar se eles sempre brigavam assim. Eles pararam. Sessão amenidades: eles viram que eu estava super bem e começaram a perguntar algumas coisas. Fui respondendo até a hora que ela perguntou onde eu trabalhava. Eu, parei, pensei, e resolvi que não existe hora certa para fazer propaganda. Disse que trabalhava no Al Dente Pizzeria e Ristorante. A mulher quase caiu da cadeira. Disse que adorava a comida, que era a melhor pizza do mundo. Claro que meu ego falou muito mais alto do que o meu corpo dolorido e eu disse que eu era um dos sócios. Ela ficou louca, disse que a gente tinha a melhor comida. O Bob não conhecia o lugar. Voltando às amenidades, eu perguntei se eles sempre trabalhavam no período da noite. Ela foi rápida e disse que tinha recebido a ligação enquanto tomava um chá e assistia a algum programa de tv. Ele disse que já estava cochilando no sofá. Foi aí que eu me senti mal pela segunda vez: já tinha matado um animal inocente e agora tinha tirado dois senhores do conforto dos seus lares. Disse que os esperaria no restaurante para jantar. Tudo certo e resolvido, eles fizeram questão de entrar comigo no pronto socorro. Ela saiu contando para todo mundo sobre as maravilhas do restaurante...hahaha...Exames e exames super rápidos e tudo bem. E os corredores ecoavam aquele mesmo cheiro e aquelas mesmas vozes que diziam que não havia sobrado nada do carro e que não acreditavam que eu tinha saído sozinho do carro e que eu tive sorte e que o veado morreu e que o restaurante era ótimo e que algumas pessoas não conheciam aquele lugar e blá blá blá. Enfim...vim pra casa depois de tomar uma anti-tétano. Odeio essa vacina. Fui tomar um banho e tudo o que eu sentia era areia no meio do meu cabelo. Depois descobri que não era areia, era vidro. Enfim...dormi até não conseguir mais e acordei, cedo ainda, e decidi ir trabalhar. Se continuasse em casa, eu sabia que minha cabeça iria pirar. Pedi carona para a minha cunhada...ela foi comigo. E lá eu fiquei, aos meus cuidados, entregue aos pêsames e às graças exaltadas daqueles que diziam que tinha sido um milagre. E foi...ando revivendo aquele acidente o dia inteiro e não sei como só sofri um arranhão e algumas pancadas. Meu corpo doía como se eu tivesse participado de uma maratona. Minha cabeça não consegue parar de relembrar tudo. Mas eu fiz entregas com o carro do meu irmão e já voltei pra casa dirigindo. Sem traumas, por enquanto.
E assim vamos...ou íamos. Se foi um milagre, ou Deus me ama demais ou ele odeia as pessoas que me rodeiam.
Abraços...