Como sempre, tudo parece ser "tarde demais". É tarde demais para voltar. Tarde demais para voltar atrás. Tarde demais para pedir desculpas. Tarde demais para pedir qualquer coisa. Como sempre, o sempre nunca é o bastante, nunca sempre impera e o nada é praticamente o meu Deus, minha fé. Fé - maldita seja. Malditas sejam todas as palavras que não deviam ser ditas, todos os dias que não deviam ter existido e todas as vezes em que eu pequei por simplesmente ser o que eu sou. Se lamentar bastasse, se fosse isso suficiente para todo o meu mundo se tornar real, se qualquer sonho pudesse, se tudo simplesmente não ruísse, talvez um dia eu saísse da minha superficialidade infantil e ridícula. Foda-se. Cansei de mim. Cansei de tentar ser. Cansei de tentar. Cansei de existir só pra mim. De tornar tudo tão real e puro só pra mim. De ter tanto e nada. De não ter nada. Exatamente nada e nenhuma escolha a não ser a mesma. As mesmas dores. Os mesmos medos. O avesso de tudo e a essência do nada

Empoeirado

Antes da Esclerose


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Terça-feira, Julho 25, 2006

mais perdido do que livro em mudança

Achei um livro do Pablo Neruda. Presente muito bem recebido na época, mas, que se perdeu dentre tantas outras coisas. Hoje, ele me encontrou. Talvez eu estivesse perdido. No mais...não sei o que dizer. Abraços.

Não te quero e não sei porque te quero
e de te querer a não te querer chego
e de te esperar quando não te espero
passa meu coração do frio ao fogo.

Só te quero porque é a ti quem quero,
sem fim te odeio, e com ódio te peço,
e a medida do amor meu, viageiro,
é não te ver e amar-te como um cego.

Talvez consuma a luz de janeiro,
seu raio cruel, meu coração inteiro,
de mim roubando a chave do sossego.

Nessa história só eu morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.

Pablo Neruda - Cien sonetos de amor


Segunda-feira, Julho 24, 2006

Querer desacreditar do destino, às vezes, parece ser como evocar uma maldição tão mística como o próprio. E como se desejar que qualquer coisa fosse diferente, interferisse em tantos acasos e guinadas que todo o resultado de uma absurda equação de escolhas seria completamente diferente e talvez te levasse muito mais longe daquele fato em questão - aliás, vc só se dá conta do destino e ele só se manifesta quando questionado.

"?"

Que mais haveria para perguntar?

Abraços...

Sábado, Julho 15, 2006

Não pude deixar de publicar a sequência inteira...e viva o sorvete!















Abraços

Quinta-feira, Julho 06, 2006

Teve um menino que observava atento às acrobacias de um rapaz que se jogava do trampolim com tamanha leveza e técnica que chamou a atenção de todos ao redor das piscinas. A mãe perguntou a ele se queria mergulhar como o rapaz, o menino excitado com a idéia perguntou quanto tempo levaria para ficar do tamanho daquele moço, a mãe disse que seria bastante tempo e que ele teria que aprender. Amarrado ao tempo como toda criança que ainda não entende a noção de tempo, mas implica em perguntar, ele disparou: "5 minutos?"

Não seria delicioso se a distância de todos os fatos importantes e desejados da sua vida tivessem um intervalo de apenas cinco minutos? Senta, pega a senha, espera um pouquinho e pã! uma semana cheia de acontecimentos absurdos e traumáticos, então vc vai para a salinha de novo, outro guichê, carimbo, senha, "plim!", não é a sua, "plim!", a fila tá grande, vc releva enquanto todo o resto da sua vida é filmada usando um dublê, sua vez, vc enfrenta outro ciclo ou cruza um oceano de saudades só para poder mostrar a língua para alguém e receber um beijo em troca.

É isso. Burocrático. Mas funcionaria.

Abraços...

   
Beba-me! Coma-me!